terça-feira, 18 de junho de 2013

JUNHO


Junho, vai triste. O sol que quer aquecer as praias e dourar os corpos sedentos de calor, esconde-se, entre nuvens escuras, húmidas, alteradas.
Só o amarelo das giestas e o verde intenso dos vinhedos para marcar este estranho calendário.
Dentro de mim também não há calor. Tudo fica morno, como cinzas que se vão apagando. As cores nubladas do céu condizem com um turbilhão de sentimentos e pensamentos, dores e recordações. 
De vez em quando Junho brilha e é aí que eu me apercebo que para lá da dor há esperança, que as cinzas ainda são úteis para fertilizar a terra, que as lágrimas podem servir apenas como cortina, para sorrisos de lembrança...
Os dias sucedem-se na sua rotina, como se o inevitável não estivesse lá. O coração dispara cada vez que o telefone toca. As orações passam a ser em silêncio, porque as palavras foram gastas. Seria tão melhor que a espera fosse mudada em certeza, que o que já não é, começasse a ser para sempre...

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