sexta-feira, 5 de julho de 2013

IN MEMORIAM ALFREDO MACHADO



Pela voz da minha amiga Sara Catarino foi-me pedido que proferisse algumas palavras em memória de seu pai de quem hoje nos despedimos.

Esta é para mim uma grande honra que nem nos meus sonhos mais ousados jamais pensaria possível, tanto mais que reconheço não ser a pessoa mais indicada para levar a cabo tal tarefa. Não passo de uma entre as muitas ovelhas que, como elas, se orgulha de poder dizer ter tido como pastor este grande homem de Deus.

Falar de Alfredo Rosendo Machado não é tarefa fácil, pela tentação de repetir lugares comuns, de cair no panegírico de palavras de circunstância. Ele foi um homem que encheu a nossa vida com a riqueza do seu conhecimento profundo das Escrituras e um entranhado amor pela obra de Deus e pelo Salvador Jesus a quem tanto honrou e cuja parousia esperava ver realizada durante o tempo da sua peregrinação. Ele foi um homem que encheu o nosso imaginário com a sua figura austera e sempre com uma citação bíblica como suporte de um pleno viver cristão. Ele foi o homem que estabeleceu o modelo do que deve ser o estudioso da revelação divina.

Tive o grato prazer de, como já afirmei, o ter tido como pastor durante a minha juventude e de ter privado com ele nas lides docentes neste Instituto do Monte Esperança e sou testemunha da influência marcante que constituiu na vida de incontáveis homens e mulheres cujos caminhos se cruzaram com o seu saber e de quem aprenderam qual outro Gamaliel.

Em todos os nossos epitáfios estarão duas datas: a da nossa entrada e a da nossa saída deste mundo, ambas separadas por um traço. Toda a nossa vida está condensada nesse pequeno traço. Mas por breve que tenha sido a sua vida comparada com a extensão da eternidade, podemos dizer que este traço no epitáfio de Alfredo Rosendo Machado é do tamanho do mundo, tantas as vidas que influenciou.

Com Alfredo Rosendo Machado, podemos dizer que se encerra um ciclo e outro se inicia. Que aqueles que seguram agora o testemunho nesta grande estafeta que é a vida cristã possam ser dignos do legado que nos é deixado e a cada momento tenham presente que entre a vasta lista de heróis da fé se encontra agora gravado de forma perene o nome de Alfredo Rosendo Machado.

Dele poderíamos dizer como o poeta:



Na mão de Deus, na Sua mão direita

Descansou afinal o meu coração”



Mas como amante e cultor das Sagradas Escrituras e sem menosprezo pela beleza destas palavras, Alfredo Rosendo Machado estará certamente a cantar um dos versículos salmódicos que ele muito apreciava e bastas vezes citava: “À Tua mão direita há delícias perpetuamente”.

A sua corrida terminou. O seu labor não foi em vão. Guardou a fé, honrou o Salvador que tanto amou e hoje está a depositar aos pés do Cordeiro a coroa que lhe estava reservada.
Jorge Pinheiro (25/06/013)


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