terça-feira, 23 de julho de 2013

PORQUÊ?

E a vida não parou. Nos dias seguintes à sua morte, o sol continuou  brilhar, o trânsito ficou caótico como de costume, mesmo sem apetite fizemos as  refeições normais, dormimos, falámos ao telefone...
Mas cá  dentro, as palavras mais importantes ficaram sem som e o sorriso escondeu-se num véu de lágrimas. Há notas na música que despertam uma recordação mais forte; há conversas simples que tivemos noutros dias e noutros lugares onde o encontrávamos e que agora lembramos, mas com cores esbatidas, desmaiadas, como se de um vestido usado se tratasse. É como se de repente, uma neblina espessa tivesse baixado e o verde dos campos desaparecesse envergonhado.
Ficará assim por muito tempo, esta dor, este soluço que teima em subir para logo se esconder à espera de uma nova oportunidade?
A certeza, toda a certeza da eternidade feliz, não chega para acalmar este pranto?
Será apenas saudade ou  receio de outros fins?


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