quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

FRIO

 
 
Nas ruas, as pessoas aconchegam com força os casacos, olham por debaixo das dobras dos chapéus, caminham sem cumprimentar quem passa,tudo por causa do frio. Afinal é verdade que o clima nos condiciona muitíssimo. Não agimos da mesma maneira, nem sorrimos do mesmo jeito... Há mais queixas, menos entusiasmo, menos vontade de parar para ver seja o que for.
O mesmo acontece quando a nossa alma sente o frio da dor, da rejeição, da ansiedade pelo que virá. Esquecemos que os outros que passam por nós, também poderão sentir o mesmo gelo, Não nos importamos em perguntar se precisam de algo que lhes traga conforto, calor. O egoísmo instala-se dentro de nós, como se fossemos os únicos a sofrer e por isso mesmo, entra-nos nos ossos, nas articulações e impede-nos de ver além do nosso pequeno mundo.
 
Hoje, é um desses dias. Húmido, desconfortável, triste. Mas além desta  condição, quero levantar os meus olhos e ver quem passa. Quero estender uma mão amiga e aconchegar um cachecol fora do lugar. Desejo muito ver um sorriso brilhar nos olhos de um vizinho desalentado e trazer uma gargalhada ao coração da senhora que me serve o café...
 
Afinal, não está assim tanto frio....

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

IDENTIDADE

Neste Natal recebi uma prenda muito especial de uma das minhas netas: um conjunto de louça (3 pratos, uma caneca e uma  chávena de chá), em cores lindas  e frescas. Só por isso, ficaria  feliz, mas a particularidade é que ela pintou palavras de amor em todas peças. Num dos  pratos, resolveu escrever o texto da mulher virtuosa de Provérbios 31, imagine o trabalho. O que me tocou mais, foi o pratinho de sobremesa, onde pintou vários adjectivos que acha ela, fazem parte da minha pessoa. De vez em quando olho o prato e fico muito pequena, muito mesmo. Porque ainda estou tão longe de ser tudo aquilo...
Uma coisa é o que as pessoas pensam que sou, outra o que realmente sou. O que acham ser as minhas virtudes, pode pintar-se num prato, escrever num quadro, num postal: O que realmente sou, é um processo que ainda não terminou.
De qualquer modo, estou tranquila porque a minha identidade não depende apenas da família  de onde vim, do conhecimento que tenho da vida, da experiência que ela me trouxe, mas de um facto inabalável: a quem pertenço. E aí, não tenho qualquer dúvida, nem me retraio de ser chamada por Deus de amada, eleita, peculiar, perfeita. Por que sou Dele e ninguém me pode arrancar da Sua mão, o processo do meu aperfeiçoamento também Lhe pertence.

Olho para o prato outra vez. Afinal é tudo verdade. 
Em Cristo sou assim!