domingo, 31 de março de 2013

PÁSCOA FELIZ

Páscoa Feliz! Tanta gente que encontrei e e disse isto, tantas mensagens que recebi com estas palavras.  
Fiquei a pensar da razão por que as pessoas acham que este dia tem que ser mais feliz que os outros. Será por que se juntam com a família num almoço mais trabalhado e farto? Será por que alguns ainda têm o costume de dar e receber prendas? 
Fui às origens deste dia. Na primeira Páscoa, os hebreus tinha razão para sorrir e desejar um dia feliz aos vizinhos e amigos. Afinal, tinha chegado o dia da libertação. De armas e bagagens, caminhavam apressados para um destino que ainda não podiam ver, a não ser crer no que os seus pais lhes tinham dito sobre uma antiga promessa, que um dia, teriam uma terra a que chamariam sua. Haverá maior felicidade que a liberdade?

Na Páscoa  de Jesus não houve sorrisos. Apenas palavras de despedida.Um sentido profundo de que algo terminava e não havia vislumbre do que seria o futuro. Comeram o cordeiro com esse sentimento, partiram o pão e beberam o cálice sem entender muito bem que significado teria realmente, já que Jesus lhes dissera que a partir daquele momento, iriam fazê-lo em memória Dele.

Mas a Páscoa não terminou nas lágrimas de Maria, na traição de Judas, na negação de Pedro, na descrença dos discípulos. A Páscoa muda a sua cor no momento em que Jesus ressuscitado chama a mulher em desespero: Maria! No instante em que Ele entra na sala onde os Seus amigos estão fechados, com medo e frustração e lhes diz: Paz seja convosco! A Pascoa fica  feliz para dois, que vão a caminho de Emaús e aos quais se junta um viajante desconhecido, que os elucida sobre os acontecimentos que tinham presenciado. A Páscoa fica ainda mais colorida quando Ele parte o pão com eles e de repente, descobrem que era Jesus, que os acompanhara o tempo todo. 


A Páscoa é feliz, se dentro de mim tiver sinos de alegria a tocar. Se na minha alma a esperança for como uma âncora a segurar-me. Se no deserto e na tempestade, eu souber que Aquele que ressuscitou, está comigo, sempre!

quinta-feira, 28 de março de 2013

AGENDA



E marcaram um dia no calendário para a chegada da Primavera. Como se ela obedecesse a calendários! O que aí temos é muita chuva, vento e até granizo, roupas que nada têm a ver com ela.
Faz-me lembrar um parto. O médico diz o dia, a semana em que a criança vai nascer. Umas vezes atrasa, outras adianta. Faz-me pensar num menino com um ano. Uns meninos andam antes deste tempo, outros acham mais divertido só gatinhar... alguém pode controlar a natureza? A exactidão do que irá acontecer hoje ou amanhã?
Tantas vezes programamos a nossa vida ao milímetro. Escrevemos listas e agendamos eventos em mais do que um lugar. De repente, uma notícia, uma dor, um acidente, uma mudança de tempo imprevistos e já nada encaixa...  
Não seria melhor, apesar dos calendários, viver cada dia com o seu mal ou com o seu bem? Seria isto que o salmista pensava quando escreveu: “Os meus tempos estão nas Tuas mãos”?  Na caminhada da vida, estou a ficar mais lenta. Descubro admirada, que o programa que fiz para hoje ficou a meio. Que, entretanto, parei para ouvir o choro de uma amiga, uma pergunta estranha de uma vizinha. Que, ficar uns longos minutos atrás dos vidros da janela para ver a tal chuva cair, traz algum silêncio a um coração que precisa de tranquilidade. Que, o comentário na televisão sobre algo que não se esgota, vai fazer-me pensar. Paro, mais vezes, apesar da agenda. 
Talvez porque sei que tenho que aproveitar todos os minutos que me restam até à Primavera...

quarta-feira, 13 de março de 2013

HIPÓCRITAS


Que me perdoem os amigos, seguidores das minhas humildes reflexões, por esta longa ausência...
Falta de tempo, de saúde e de inspiração. Sejamos realistas, isto tudo misturado, dá um prato bem estranho e de mau sabor! Mas é a realidade.
 
Neste intervalo, tenho estado particularmente pensativa sobre o facto de Jesus Cristo, sempre tão gentil, amável e amoroso, ter sido tão ríspido e contundente com um grupo de pessoas que O seguiam por todo o lado. Onde quer que o Filho de Deus estivesse, era certo e sabido que apareciam. Refiro-me aos fariseus, claro. Gente fina, culta, de uma classe social elevada e privilegiada, religiosos até ao sangue, cumpridores à risca de todos os mandamentos da Lei e de mais umas quantas regras que eles próprios inventaram. Não é que Jesus não os amasse. Teve até algumas conversas bem interessantes e significativas com um ou dois, mas parece que o coração perfeito do Mestre galileu, não engolia uma coisa bem patente na atitude destes senhores – a hipocrisia. E não teve qualquer problema em chamá-los isso mesmo, hipócritas!
 
Na sua etimologia, a palavra tem a ver com “representar”, aquilo que um actor faz em palco. Veste um papel e uma vida que não é a sua. Finge bem a dor, a alegria, as emoções do personagem que representa. Os tais fariseus, representavam um papel que só Jesus teve a faculdade de expor, o de justos, de bons, de perfeitos. Mas o seu coração não correspondia às suas acções. Fingidos, dissimulados.
 
 
 
Cada vez mais quero ser simples, humilde, real, límpida. Mesmo que me digam que a vida é um palco, eu só quero mostrar a minha verdadeira identidade.  Seria muito triste se o meu Senhor me achasse a representar...Ele, que só quer que eu viva, mesmo.