segunda-feira, 29 de abril de 2013

BRANCO...


E a Primavera, de repente, ficou cheia de frio. Foi buscar um casaco de pele macia e alva e aconchegou-se outra vez nos cobertores. O vento soprou sobre as flores e deitou ao chão milhares de pequenos frutos em promessa. As pessoas vestiram outra vez os casacos que já estavam guardados e no seu lugar colocaram a roupa de praia que saíra a arejar! As chinelas e os calções, foram enfiados outra vez nos armários como que envergonhados e os planos de um feriado de calor, parecem ficar por terra...

Ainda temos ilusão que podemos programar tudo.  A vida, a natureza, prega-nos cada surpresa.
Ainda bem que há outras realidades que não mudam. Não importa a estação do ano, nem os arrufos do tempo, a verdade do amor de Deus é sempre o mesmo. Como é a Sua fidelidade, justiça e misericórdia. Os dias passam, os anos e as estações, mas Ele é permanece, sem sombra de variação. 

De todos os Seus nomes, este é um dos que mais toca o meu coração - o Mesmo! Agarro-me a ele com a certeza que no frio ou no calor, na chuva ou na neve, hajam flores ou tudo se vista de branco - estou segura!

domingo, 28 de abril de 2013

PARDAIS

Saltitam de um lado para o outro. Fazem voos rasantes no asfalto da estrada. Sobem em velocidade até à primeira  varanda que encontram. Rodopiam, voam, comem, nem se sabe o quê, ali, aqui, acolá e recomeçam tudo, como se nunca o tivessem feito antes. Os pardais da nossa Primavera. Invadem os campos, os quintais, as varandas e as hortas. 
Olho-os admirada e os meus olhos seguem a sua rotina de velocidade.
Quem cuida deles? Há algum departamento científico que os conta, cataloga? Quem se interroga onde pernoitam, o que fazem, se a comida lhes falta? Quem dá pela sua falta ou aplaude quando chegam?



Pardais, aves sem importância. 
E no entanto Jesus disse que valemos muito mais do que eles. Que se Deus alimenta as aves, também tem cuidado de nós. Que eles não plantam, nem ceifam e mesmo assim , o alimento não lhes falta... 

Pássaros que seguem o seu instinto interior, que lhes diz que se um deles cai morto, o Pai Celestial sabe, fez a contagem e preocupa-se com cada um que morre.
Afinal, eu, ser pensante e cheio de iluminação, passo mais de metade da minha vida preocupada com o que hei-de vestir, com o que hei-de comer...ansiosa pelo dia de hoje e pior ainda, pelo de amanhã.

E se eu vivesse como  os pardais? E Se confiasse muito mais em Deus que me protege, ama, cuida e alimenta? 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

E SE TU NÃO ESTIVESSES LÁ?




Se no dia da alegria, quando as cores são mais brilhantes e os sons mais fortes, Tu não estivesses lá? Gozaria esses momentos, centrada em mim, saboreando cada segundo, como se me pertencessem e não tivesse que dividi-los com mais ninguém...
No dia da separação, quando a dor é demasiada para ser colocada em palavras e o pranto é o único escape possível? As lágrimas secariam por fim e a dor faria morada em qualquer canto do meu ser, tolhendo-me os movimentos, impedindo a vida...
Se no dia da traição, quando os pensamentos sobem e descem em ziguezagues de loucura e a boca se fecha porque perdeu as palavras? O coração fechava-se, um vidro frio de indiferença seria colocado no lugar de um afecto perdido...
E no dia da doença, quando tudo fica sombrio, inquietante, febril e limitado? Agarrava com desespero os lençóis e tapava a cara para que ninguém visse a minha palidez...
E na dúvida? Quando uma coisa parece outra e aquela já tem contornos diferentes e tudo o que me resta, são as marteladas das palavras negativas na minha mente?
E se Tu não estivesses lá?
Mas estás lá na alegria e ensinaste-me que se voltar para Ti o meu coração, a alegria é perene!
Estás na separação e dizes baixinho, só para eu ouvir: “Não te deixarei, nem desampararei”.
Tocas no vidro frio da indiferença e tornas a dizer que o amor nunca falha...e eu acredito outra vez!
Entras no quarto a cheirar a remédio e dizes só UMA palavra e a Tua serva enche-se de esperança!
Que bom saber que estás sempre lá...

terça-feira, 16 de abril de 2013

PAI NOSSO...

Uma oração repetida milhões de milhões de vezes, por gente que a entende, por outros que a repetem apenas. Jesus foi ao encontro do desejo dos discípulos quando lhes deu este modelo de oração. Para eles, abriu-se uma nova janela de comunhão com o Eterno, pois até ali nunca lhe tinham chamado "Pai".

Hoje, orei-a outra vez, pausadamente, para  que todo o seu poder permeasse os meus sentidos, descesse ao profundo da minha alma e fizesse, mais uma vez morada, dentro de mim.
Parei na frase : "E  perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores..."
Foi a primeira  parte  que me fez parar. Afinal que dívidas tenho para com  Deus? Bem sei que nunca  poderei pagar-lhe o amor, a protecção, o cuidado, a bondade...



Murmurei a oração outra vez e então entendi:
Perdoa a minha dívida de santificar o Teu Nome...quantas vezes me esqueço como Ele é santo, santo, santo...
Perdoa a minha dívida, quando coloco os meus interesses acima da grandeza do Teu  Reino...
Perdoa a minha dívida,  pois tenho a coragem de pensar que a  minha vontade é tão boa quanto a Tua...

Perdoa a minha dívida, quando imagino que tudo o que tenho é porque mereço, é porque tenho direito, quando afinal o pão que como, vem da Tua mão...
Perdoa a minha dívida quando me coloco acima  dos outros, num pedestal superior, esquecendo-me o quanto já me perdoaste...

Perdoa a minha dívida de gratidão, pois cada vez que sou salva do mal, é obra das Tuas mãos...
Perdoa quando não Te dou glória, honra  e poder...isso deveria ser o foco da  minha vida...
Devo-te tanto, Senhor que em comparação com o que outros me devem, é como uma gota de água  no oceano...


sexta-feira, 5 de abril de 2013

NÃO HÁ RISO


A nossa vida é feita de muitas cores. Umas berrantes, outras esbatidas, umas sombrias e outras doces. É feita de sons. De cheiros. Alguns destes estão impressos na nossa memória, ligados a dias, acontecimentos e épocas. Ainda sou capaz de lembrar o cheiro das filhoses dos natais da minha infância. Tenho guardado na memória, o toque das mãos da minha mãe. Eram umas mãos com dedos rugosos, levemente ásperas, mas que sabiam tocar na hora certa...
Pensei em tudo isto, esta semana, quando visitei o meu pai na casa de repouso onde se encontra. Porque lá, embora o conforto, o carinho e o desvelo com que é tratado, descobri que faltava uma coisa: a casa é silenciosa. Não há gargalhadas, as vozes são baixas, quase em surdina...
Esse silêncio de risos doeu-me na alma. Quando perdemos essa faculdade de rir em voz alta, de atirar ao ar uma piada que estala num riso de alguém, é porque já perdemos quase tudo.
Dei-me conta que o silêncio a que as pessoas idosas se remetem, não tem apenas a ver com cansaço, mas com uma recordação que tem que ser vista em sossego. E lembrei as palavras do poeta:

"Recordar, é viver,
transformar num sorriso o que nos fez sofrer,
relembrar dentro da alma uma idade passada,
como uma capela de ouro, há cem anos fechada,
onde não vai ninguém,
mas onde há festa ainda..."

Desejo muito que o meu pai e as outras pessoas, entrem na capela de ouro, de vez em quando e sorriam, pelo menos.