sábado, 14 de junho de 2014

A DANÇA DAS PALAVRAS

Na minha frente tenho uma página branca. Para que ela ganhe vida, poderei fazer um desenho ou escrever palavras. Desenho, nunca. Nem sei como começar. É como se o traço fugisse para um mundo que nunca existiu, tão estranhas são as criaturas que saltam do risco...
Resolvo escrever, palavras. Mas elas têm que fazer sentido. Terei que usar pontuação, para que criem ritmo, ou corro o risco de deixá-las numa dança frenética, que cansa.
As palavras têm que sair de algum lado até chegar ao papel. Saem de onde? Dos dedos? Dos olhos? Do coração? Se é daqui que saem, exponho-me, se não é, são secas, insípidas e desaparecem.
Escrever é isto. Ir ao fundo da alma, trazer à superfície a dor, a alegria, o medo ou a esperança. Depois, é vestir-lhe cores diferentes e ali, direitinhas, começam a dançar. Fazem roda, passam pelos braços umas das outras até que o movimento cria sentido e todos entendem. 
E quando não entendem, é porque nunca escreveram.

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