segunda-feira, 2 de junho de 2014

CRIANÇA

Celebrou-se ontem o Dia da Criança. Mas não de todas as crianças.
Enquanto lia citações, vídeos, poemas e pensamentos  mais ou menos adocicados sobre a maravilha de ser-se criança, o meu coração ia ficando mais apertado a pensar nos meninos que não são crianças.
Não sabem sorrir, porque ninguém lhes sorri.
Não sonham "quando for grande, vou ser...", porque lhes foi roubada a capacidade de sonhar.
Não têm cabelos sedosos e corpinhos cheirosos, porque na casa onde vivem não há água e a mãe não tem dinheiro para "coisas" perfumadas.
Não têm festas de aniversário, balões, palhaço, bolo e prendas, porque todos os dias são iguais.
Não têm beijos nem abraços, porque vivem na rua e lá as pessoas viram a cara para não ver.
Não têm histórias na hora de deitar, porque não há livros em casa e dormem quatro irmãos na mesma cama.
Há meninos que não têm direito a ser crianças, neste país, na nossa rua, ao virar da esquina... 
Que juízo virá sobre nós, a quem foi recomendado que não os "escandalizássemos"?  Que fazemos no dia a dia para que eles saibam o que é crescer? O que ensinamos às nossas crianças? Que o mundo é o que eles têm todos os dias ou que a compaixão e a fraternidade podem mudar o destino desses meninos?


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