terça-feira, 25 de novembro de 2014

TEMPESTADE

Hoje resolvi ler algumas das coisas que tenho escrito neste blogue. Já lá vão 5 anos ou mais, porque entretanto, houve um pirata que entrou para estragar e perdi muito do que tinha escrito.
Dizia eu que li o que ficou para trás. Para as pessoas que por aqui passam, é quase imperceptível que cada um destes escritos reflecte o momento presente da minha vida. E hoje não podia ser diferente.
O mês de Novembro vai-se escoando rápido, o calendário tem já poucas folhas para arrancar e daqui a nada, fechamos um ano cheio de surpresas e de inesperado.
A vida seria muito monótona se não houvesse outra estação que não o inverno. Só que, quando a chuva cai e o frio nos encolhe, fechamo-nos nos agasalhos, puxamos para os olhos os chapéus e gorros e esquecemos que ao virar da esquina há uma primavera.
Nestes dias, as minhas dores também me fecharam num redemoinho de sentimentos que me impedem de ver a cor da esperança. Espreito avidamente o céu, para ver se há ao menos uma nesga de azul, mas só consigo ver nuvens escuras, que descrevem tempestade e desconsolo.
Lembro um grupo de homens, num barco, de noite, debaixo de um medonho temporal. Já tinham experimentado outros, mas aquela ocasião parecia-lhes única. Só um dos homens dormia, no meio dos gritos, das ondas, da água que entrava no barco. Jesus dormia. Depois de tanto O sacudirem, Ele acordou, olhou para o mar e para o vendaval e falou-lhes num jeito de quem os conhece como a palma da mão: "Aquietem-se, acalmem-se!" No mesmo instante fez-se calma, as ondas beijavam apenas a embarcação e o vento empurrava-os suavemente para terra.
Eu sei, que Ele está no barco comigo. No meio deste temporal, Ele vai levantar-se e dar uma ordem de paz. Só não sei quando.

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