quinta-feira, 27 de março de 2014

A MINHA DEPENDÊNCIA...

Eu sei que estou a escrever pouco...mas este primeiro trimestre do ano tem sido algo atribulado. Estes momentos na minha página, são realmente um refúgio, um desabafo, mas quando há tantas outras exigências, vão ficando para trás...
Hoje descobri como sou tão "dependente" do meu marido. Agora que ele está em convalescença e proibido de certos movimentos, pesos e que tais, tenho que fazer muitas coisas que normalmente ele faz. Algumas, fá-lo por puro carinho, outras porque nota a dificuldade que tenho  e ainda outras...(e foram essas que me chocaram hoje) porque simplesmente gosta, acha que faz melhor do que eu e a mim, dá-me muito jeito que assim pense! 
Tive que deitar mãos à obra e perceber que a minha zona de conforto passa muito pela sua presença, carinho e  dedicação,  em tudo o que faz.
A percepção foi tão real que me assustei. Afinal, uma união de tantos anos é isto mesmo: habituar-nos aos passos do outro, às voltas (muitas vezes) incompreensíveis do outro, aos horários e rotinas da pessoa que partilha o nosso espaço há tanto tempo. A intimidade é feita também destes pequenos ritmos, tão conhecidos e tão necessários.
Transportei tudo isto para a minha intimidade com Deus. Será que sinto a Sua "falta" com a mesma intensidade? Será que sem Ele a vida deixa de fazer  sentido e perde  o brilho que deveria ter? Será que já me habituei à Sua presença tão constante , que a tenho como um dado adquirido, sem dar-lhe o valor total que ela merece?
Não queria desvendar muito a minha vida. Mas tenho que trazer um sorriso ao vosso rosto: estes pensamentos profundos  assaltaram-me enquanto me dirigia ao galinheiro, uma tarefa que odeio profundamente e que só faço em caso extremo, como agora...


quarta-feira, 19 de março de 2014

Hoje é Dia do Pai. Ainda bem que inventam estes dias, para dizermos aquilo que normalmente não conseguimos expressar na corrida dos outros...
Este é o meu primeiro sem o meu pai. Ausência estranha. Saudade imensa. Lembranças que voltam em velocidade tal, que se torna impossível catalogar as que são boas e as que não são. Saudade é um bichinho pequeno e escurinho, que rói, até que um dia se cansa e deixa de doer. Nesse dia, o tal bichinho, acocora-se num canto do coração  e de vez em quando mexe-se, só para que saibamos que ainda lá está, que ali é a sua casa, que não intenciona sair...
O meu pai adorava receber flores. Ele amava flores. Por isso e só por isso, fui ao cemitério e deixei sobre a terra amarelada, um ramo de cravos de uma cor lindíssima. Ele não sabe, não cheira, nem sente as flores. Mas ali, mais uma vez, o meu coração apercebe-se do quanto  ele era importante e da falta imensa que é na minha vida e ao olhar para os cravos sobre a sepultura, recebo uma lufada de esperança. Cada dia estou mais perto do DIA DO PAI. Nesse, não haverá mais lágrimas, dor ou lembrança das dores passadas. Na Festa do Pai, as flores não vão murchar e o sol nem precisa dar luz, porque o próprio Pai ilumina tudo com a Sua presença...
O meu querido pai, já lá está, nessa luz inacessível, onde nem a saudade nem a distância são contadas...

terça-feira, 11 de março de 2014

DE REPENTE...

Foi um Inverno longo, frio, chuvoso, húmido, cinzento, interminável. Para um país de gente que ama o sol, foi demais.
E, de repente...a chuva parou, o sol brilhou e aqueceu o nosso sorriso. O povo foi despindo os casacos e atreveu-se a caminhar pelas ruas, parques e praias com roupa leve.
O que me chamou a atenção nesta Primavera repentina, foi que, num dia tudo era cinzento, sem cor, molhado e triste. No outro, os meus olhos não queriam acreditar na extensão de verde que se derramava diante de mim. As árvores perenes brilhavam, lavadas e prontas e as outras, foram repentinamente buscar folhas novas, sei lá onde. Mais espantoso ainda. Rodando por uma pequena cidade, vi tantas árvores carregadas de flores brancas e cor de rosa...mas onde estavam estas flores ontem?  
A Primavera é um momento "de repente". Enchendo os olhos da beleza da natureza, o meu pensamento estremeceu ao ouvir dentro de mim estas palavras: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" e mais uma vez tive a certeza que, sejam quais forem os Invernos e tempestades da minha vida, de repente, quando nem imagino, Deus envia uma Primavera exuberante de promessa, de alegria e de vida nova.