sexta-feira, 25 de abril de 2014

PARABÉNS, LIBERDADE!

40 anos é uma vida!  É a idade da Liberdade e da Democracia em Portugal.  Se ela se tornou numa mulher bela, de carácter, com bons modos e com desejo de ajudar o próximo é questionável. Há por aí alguém perfeito? Mas que nasceu linda, lá isso foi. 

Quem não estava lá, não se lembra do que era antes da sua chegada. Do medo de dizer alguma frase que fosse mal interpretada e nos levasse diante da policia. De estar numa reunião na igreja adorando a Deus, sabendo que ali pelo meio havia  agentes da secreta, bisbilhotando e tomando nota de tudo o que se dizia. De não poder viajar sem autorização do marido. De só viajar para um número restrito de países escolhidos pelo estado. De abrir a janela da casa e do outro lado da rua, ver um agente, postado durante horas a fio, só porque o  pai era pastor de uma grande igreja e tinha influência sobre "as massas". De ninguém saber o que era, onde era Portugal. De ver irmãos, maridos e filhos partirem para defender territórios em África que orgulhosamente chamávamos "nossos", sem a certeza de que voltariam algum dia a casa. De não ter liberdade na escola para afirmar ter uma religião diferente e por isso ser colocada na última fila da aula com a ameaça de não poder falar, nem para pedir um lápis emprestado...Acham que isto era vida?

E agora? A tal democracia cresceu, engordou, emagreceu e foi mudando. Como tudo nesta vida. Não gosto do que ela faz, não aprovo os seus modos arrogantes e a sua justiça questionável, não me revejo na maneira como trata os velhos e os jovens, mas pelo menos sei que posso sentar-me onde quero, ir onde desejo e falar o que me apetece. Só por isso,  vale a pena dizer: parabéns Liberdade!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

PAUSA

A sensação que tenho, é que hibernei!
O meu ritmo de vida abrandou de tal maneira, que as horas passam por mim como se estivessem com preguiça de chegar a algum lugar...
Os pequenos gestos e as pequenas tarefas, são feitas sem pressa. Abro a minha agenda e aqui e ali, vejo um traço enorme sobre compromissos que terão que ser adiados e, na sua maioria, cancelados.
Hoje mesmo, alguém me telefonou para falar numa certa reunião e tive que dizer mais uma vez: "agora não posso."
Se querem que vos diga, não é assim tão mau, embora vá contra tudo o que tem sido a minha vida nestes últimos anos. Aceito os tempos de Deus. Compreendo os Seus desertos. Entendo as Suas pausas. E é nesta aceitação que encontro paz, que sinto descanso, que não olho para o que há para fazer.

Estava a ler a história de Saulo de Tarso. Imagino-o um homem cheio de agendas, compromissos, completamente focado no que tinha para fazer. E, de repente, a sua jornada mudou. Deus desviou o seu programa de vida, o ritmo a que estava habituado e as pessoas que fariam parte das suas relações. Nessa paragem, de muitos meses, no silêncio da sua viragem, recebeu revelações que ninguém tinha recebido antes. Na incógnita da sua viagem, encontrou o caminho que o levaria a ser o apóstolo das gentes...

Eu sei, que nesta paragem, neste intervalo, Deus trabalha no meu silêncio, na minha pausa, neste novo ritmo da minha vida. Sei também que é apenas um tempo, que ainda não cheguei ao final da minha tarefa, que aquilo que planeou há muito será cumprido.
Não tenho receio. Os meus tempos estão nas Suas mãos.

sábado, 19 de abril de 2014

ROTINAS

Faz hoje exactamente um mês que o meu marido entrou no hospital. Dura e longa experiência de melhoras, pioras, mais cirurgias...enfim, um mês de cansaço, receios, preocupação e muito poucas respostas. Pudera, quando os médicos se lembram de falar connosco, metade do que dizem voa por cima da nossa cabeça...os  termos que empregam e a rapidez com que o fazem, são para não dar-nos a oportunidade de interrompe-los  com perguntas repletas de ignorância e ansiedade à mistura. Mesmo assim, temos que estar gratos por tudo o que fazem, pelas muitas horas de trabalho e empenho que colocam em cada caso.
Agora que ele já está em casa, começa um novo tempo para nós: dietas, descanso, muito pouco esforço...
Fico admirada com a maneira como  nos adaptamos ao novo  e ao estranho. Somos assim, animais de hábitos...
É curioso como, de repente, as nossas rotinas são mudadas e damos connosco a fazer coisas que nunca tínhamos feito ou experimentado. Deus, nosso Pai, também estabeleceu estações para os seus filhos: sol, chuva, verão, inverno, sementeira, ceifa, frio calor. Decretou também que a nossa vida experimentasse a sombra da dor e o esplendor da alegria. Que nos alegrássemos pela fartura, para dar-lhe valor quando ela desaparece. E são estas nuances e estas cores diferentes na palete da vida, que a tornam tão especial, tão inesperada e tão rica.
Sei que este novo na minha vida, não tarda vai tornar-se em rotina, que por sua vez será quebrada por algo inesperado, outra vez. Em tudo isto, há no entanto algo que me empolga: Jesus Cristo não muda, não tem sombra de variação, é sempre fiel, eternamente confiável, absolutamente o MESMO. E é isto que traz equilíbrio às minhas variáveis, balanço aos meus dias, sossego ao meu coração.

terça-feira, 15 de abril de 2014

SOMBRAS

Já passaram vários dias desde o meu último post. Muitas horas de aflição, de incerteza e de receio pela saúde do meu marido. Uma experiência que nunca tinha tido desde que estamos juntos, diferente da que tivemos na ultima vez que foi operado, há 6 anos... Ainda bem que a vida é sempre diferente...e que bom que Deus se mostra o MESMO em cada experiência!
Não tenho palavras que cheguem, para expressar o meu sentir em relação ao carinho, palavras de encorajamento e orações de amigos e família, de longe e de perto. Sem isso, não teria sido capaz de passar por este vale sombrio.
Descubro que "a Sua vara e o Seu cajado" que me consolam, tomam a forma de telefonemas, mensagens, palavras de cuidado e de força, mas acima de tudo, é a Sua presença que me traz tudo o que preciso, mesmo quando estou sozinha e as horas custam a passar durante a  noite.
Não estou a dizer nada novo, mas sombra significa que há luz! Um dia destes tudo voltará a uma normalidade diferente da que tínhamos antes e a sombra escura dará lugar a períodos de céu pouco nublado...
O mais importante, é que ainda que eu "ande pelo vale da sombra da morte", Ele está comigo. Podemos andar pelo vale, mas não ficamos lá, o nosso lugar em Cristo não é de sombras constantes, mas de luz.