sexta-feira, 19 de junho de 2015

O SONHADOR (cont)



Algum tempo depois chega uma comitiva vinda do palácio. Procuram José. O rapaz toma banho e muda de roupa. Vai apresentar-se diante do dono do mundo, sabe-se lá porquê. O esplendor e o brilho da casa do rei não deslumbram o jovem. Ele sabe que é mais uma missão. Enquanto espera, olha para a roupa limpa que vestiu e sorri. Já tinha vestido várias roupas nestes poucos anos da sua vida, cada uma delas representando o seu estado de filho amado, escravo e prisioneiro. A roupa que tem agora  parece-lhe estranha, não faz sentido, mas espera. Levam-no à presença do faraó. Não ousa enfrentar o dono da terra, mas este, em voz alterada conta-lhe um sonho que não consegue decifrar. Pretende que José o faça, já que teve essa capacidade com os colegas da prisão. José  olha agora sem medo para o rei  e ele, que em menino sonhara tanto, agora começa a interpretar o sonho  do faraó.
Quando termina, levam-no dali para vesti-lo com roupas reais. José olha para o espelho que lhe dão  e nem acredita. Em vez de uma corrente de ferro nos pés, tem uma de ouro ao pescoço, no lugar do avental de escravo e do calção de prisioneiro, tem um manto de governo sobre o seu corpo jovem. E os sonhos? Não tem mais tempo par a sonhar, a realidade de governar o Egipto e de fazer florescer a sua economia, roubam-lhe todo o tempo.
Mas um dia, na sua frente, estão 10 homens hebreus inclinados, submissos, carentes, incapazes.  E é aí que José vê o seu sonho tornado realidade. Os irmãos não o reconhecem, mas ele sabe quem eles são. Os seus rostos e cheiro estão para sempre gravados no seu coração. A dor que lhe infligiram ainda não desapareceu. O turbilhão de sentimentos é grande demais para o governador do Egipto e tem que sair para chorar sozinho...
Um dia, já no final da sua vida, José volta a sonhar. Pede à família que, quando voltarem à sua terra de origem, levem com eles os seus ossos. Sonha repousar na terra que o viu nascer, mas mais do que isso, sonha que um dia Deus vai fazê-los voltar ao lugar que prometera ser sua propriedade para sempre.
José, o menino sonhador, foi elevado por Deus a um patamar superior – intérprete de sonhos.
Deus ainda faz isto hoje com o que desejamos e sonhamos. Um dia, damos por nós a fazer algo que está anos de luz acima do que tínhamos pensado. Porque se o nosso coração se mantiver fiel, leal, puro e moldável, Deus tem um terreno pronto para mais do que pedimos ou pensamos!


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