quinta-feira, 8 de outubro de 2015

COMPARAÇÕES

Não há como não fazer comparações. Mesmo sem querer, elas saltam diante dos nossos olhos. E começam sempre por algo parecido com isto : Como é que tem e eu não tenho? Por que pode e eu não posso? O que fiz tão errado para o resultado ser este?
Podemos chamar o que quisermos a estas reflexões, que vêm sempre carregadas de dor, de impotência, de um sentimento de alguma perda e de um objectivo que não foi atingido.Mas o que é certo é que elas aparecem e nos espreitam de vez em quando...  Tenho amigos que dizem:" não lamento nada do que fiz na minha vida!" Outros ainda vão mais longe: "Se vivesse outra vida, faria tudo igual!"
Concluo eu que devo ser uma raridade no meio de uma geração que se sente tão realizada. Pois eu não sou assim. Queria ter feito mais, gostaria de ter sido mais bondosa, melhor esposa, melhor mãe.  Esta última então, persegue-me. O que poderia ter feito melhor? Amado mais? Corrigido mais? Ter ficado mais atenta? Os filhos crescem, seguem a sua vida, fazem escolhas e nós, como treinadores no banco, definimos onde erramos, o que perdemos e por que falhamos. O jogo desenrola-se na nossa frente e por mais que esbracejemos, eles defendem-se como podem e atacam  para se defenderem. 
Às vezes pergunto-me por que não ficam sempre com os olhos pregados em nós, ouvindo, imitando...Acho que a razão é simples: eles próprios descobrem que também nós fizemos jogadas perigosas, inaceitáveis e que se estivéssemos ainda em  campo, não saberíamos  entender a estratégia do adversário.
Não chega encolher os ombros e seguir em frente. Para mim não é suficiente. 
Ter um problema existencial desta natureza na minha idade, pode ser perigoso. O melhor é fechar a loja por hoje e dizer como todo o mundo: "está tudo bem!"


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