quarta-feira, 21 de outubro de 2015

MEMÓRIA

As datas e acontecimentos importantes da nossa vida sucedem-se: aniversários, encontros com amigos especiais, casamentos, palestras, conferências, doenças, partidas e chegadas e até funerais. Todos eles são marcos de algo que faz parte de nós, que entram na nossa memória e encontram lá um lugar, umas vezes mais escondido, outras nem tanto. 
Algumas destas lembranças, enfiam-se em lugares tão complicados, que por mais que as procuremos, é preciso desarrumar umas, empurrar outras tantas, até as encontrarmos.
Mas hoje, uma dessas,  tão longínqua, enterrada nos vãos da minha memória, sem que o desejasse, teimou em querer aparecer. Não sei porque apareceu. Quando  consegui vê-la à claridade e ao olhá-la bem de frente, não gostei. Nunca foi bonita, diria até que era bem feia, mas hoje, passados estes anos todos, está com uma cor terrível, com uns tiques estranhos e acima de tudo cheira a mofo. Tenho alergia a mofo. Mas ela está na minha frente, com um riso de ironia e não sei como ver-me livre dela.
A nossa mente prega-nos partidas, mas a Palavra de Deus dá-nos repostas. Olhei a dita naqueles olhos vidrados e disse-lhe com voz firme: "Quero trazer à lembrança o que me traz esperança! A misericórdia do Senhor é para sempre, grande é a Sua fidelidade" . Mal acabei de falar, já ela se sumia, mais amarelada, mais vacilante...Não sei se encontrou algum buraco onde se meter, mas se voltar, leva a mesma resposta naquela cara deslavada e sem cor, até perder completamente a coragem de sequer levantar cabeça!

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