sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

SONS DA NATUREZA

O universo está cheio de sons. A natureza tem som. Alguns conhecemos e sentimos, outros nem por isso.  Pense no som do vento, o incómodo que ele nos provoca e o receio que aumente e perca o controle. No som da brisa, tão suave, que faz as folhas das árvores dançarem ... No som da água dos regatos, a dizer-nos que não há sede no mundo que não possa ser saciada...
Vá até à praia e ouça o som das ondas, fortes poderosas, batendo impiedosas na areia que foge. No final da tarde, fique junto das árvores, para ouvir o cantar dos pássaros, a aninhar-se para mais uma noite de descanso. Junto à selva, quem lá vive, ouve sons de fazer tremer...
E a chuva? Mesmo quando é miudinha, as pingas vão-se acumulando nos telhados e  ao cair, produzem  um ruído que, uns adoram ouvir, outros nem tanto.
E o que acha do ruído do granizo? Ímpar, não é?
Já ouviu o som dos troncos da madeira a crepitar na lareira? Contudo, ninguém gosta de ouvir o barulho do fogo a alastrar pela floresta.
Mas hoje quero falar de um som de silêncio. São os pequenos flocos brancos que caem do céu, sem qualquer ruído. Uns  a seguir aos outros, vão-se amontoando nas sacadas das janelas, nos carros parados, nas árvore e nos edifícios. A neve não tem som. A neve é silêncio. Em poucas horas transforma a paisagem e provoca alegria nuns e irritação noutros.
Olhei para a neve, da janela do quarto do hotel onde estava. Que rapidez na transformação de tudo o que nos rodeava! E pensei na graça de Deus. Não faz barulho, não toca trombetas, não destrói, mas muda. Muda tudo. Uma graça que entra devagarinho e que de repente, é abundante. Que nos dá um lugar de segurança na presença de Deus. Que nos leva a experiências que nunca tínhamos sonhado. Tudo calmo. Tudo no silêncio do nosso espírito. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

TANTO PARA AGRADECER!

Hoje fiquei impressionada com as lágrimas de uma senhora que entrou no café onde normalmente  toma o seu pequeno-almoço. A senhora já vai entrada nos anos, move-se com dificuldade, não tem família, mas todos os dias, chova ou faça sol, enche-se de coragem e lá vai, umas vezes mais rápida outras tão lenta que parece que faz um viagem de quilómetros. Mas vai. Mas insiste. Afinal, dentro do café está quentinho, as senhoras da aldeia juntam-se religiosamente  todas as manhãs para o galão e o pão quente e ela, pelo menos ali, tem companhia. 
Perguntei-lhe da razão do choro, o que deu aso a mais lágrimas e mais assoadelas e por fim, com a voz embargada de soluços teimosos, foi contando da imensa dificuldade que tem em vestir-se, calçar-se, ela que já fez, que já andou, que deu e repartiu....e aí vem um caudal de lembranças de um tempo que já lá vai. Deixei-a desabafar. Todos precisamos desta descarga de emoção, de vez em quando. Daí a minutos já estava agarrada ao pãozinho, mas ainda com a lágrima ao canto do olho. Foi então que lhe disse que possivelmente podia ver as coisas do outro lado. Há sempre um outro lado. Porque não agradecer a Deus que ainda tem alguém que pode ajudá-la a vestir-se e a arranjar-se, quando há tantas pessoas que estão mesmo sozinhas, sem ajuda de ninguém? Porque não encher a alma de gratidão pelas amigas que conversam com ela todos os dias e desarrumam o café só para que ela fique mais confortavelmente sentada? Porque não dar graças por uma vida vivida com prazer, ao lado de alguém que tanto amou, quando tantos neste mundo, passam por ele sem nunca saber o que é carinho e ternura?
Olhou para mim com os olhos vermelhos de tantas lágrimas e disse: "É verdade, tenho tanto para agradecer!"
Vim para casa e apliquei  à minha própria vida o que disse à senhora. Tanto para agradecer. Uma imensidade de graça, misericórdia, cuidado, perdão, força., coragem, em doses precisas e na hora certa, das mãos de um Deus que não falha, não se ausenta e nem se esquece do que prometeu fazer.
Neste dia frio de Inverno, quero aquecer a minha alma com o calor da gratidão. Quem sabe, se alguém com muito frio, não fica mais consolado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

SEI!

E vamos lá começar um novo ano no blogue,
Iniciei-o em 2009. Não quero falar do outro, anterior, que me foi roubado, pirateado e sei lá mais o quê.
Tem-me dado tanto prazer escrever! Gostaria de fazê-lo mais amiúde, mas o tempo ás vezes não dá para tudo...
Tenho abordado aqui imensos temas, desde os mais tristes e dolorosos até aos alegres e ainda aqueles que não têm muita importância, a não ser para mim, que os escrevo.
Ouvi dizer que 2015 será o ano da esperança. Não sei onde se baseiam os políticos e comentadores para tal afirmação. Afinal todos os anos deveriam ser de esperança. mesmo quando a perdemos, ainda quando não  há muito para esperar. Escrevi aqui há tempo sobre este assunto da esperança ou da falta dela.
Mas hoje, quero trazer à lembrança aquilo que me dá esperança: saber que a fidelidade, bondade, amor, misericórdia, graça de Deus nunca falham, jamais me desamparam! O que vejo e o que que sinto, não são muito promissores. O que me acontece não é, de modo algum, um prenúncio de algo bom, mas eu trago hoje à lembrança tudo o que pode produzir em mim esperança - a grande fidelidade de Deus.
Se no decorrer deste ano algo ruim me acontecer, SEI que Deus será Fiel nesse momento como foi noutras circunstâncias semelhantes. SEI que Ele me levantará acima das minhas dores. SEI que a Sua mão de poder me sustentará acima dos meus medos. SEI que posso estar confiante Naquele que cuida dos pássaros e sabe o número de todos eles. SEI  que no meio do vendaval, não irá deixar o meu barco afundar. 
SEI! E só isso, acende a luz da esperança!