sexta-feira, 27 de março de 2015

BODAS DE OURO

Estivemos a celebrar as nossas bodas de ouro. Alguém, lá muito atrás no tempo, resolveu dar nomes a cada um dos aniversários de casamento. Dizem que a tradição vem de há séculos, na velha Alemanha, onde em certas localidades ofereciam ao casal que completava 25 anos, uma coroa prateada e ao que chegava aos 50 anos, uma coroa dourada. Os materiais que inventaram para cada aniversário, são dos mais diversos e, no meu entender, alguns deles bem estranhos. No entanto, envolver 50 anos de casamento em ouro, é bastante significativo. Acho que será porque  o ouro representa durabilidade e preciosidade.
Seja lá o que for...é muito tempo! Quando casamos, nesse dia feliz e memorável, cheios de sonhos e juventude, nem nos passa pela ideia o que serão os longos anos a seguir. Quantas alegrias e dores, quantas surpresas e desatinos, o que vamos encontrar de dissabores e  dificuldades. No entanto, esta celebração, parece ser  algo em vias de extinção! Quem é que aguenta tanto tempo, quando hoje, por "dá cá aquela palha", as pessoas  trocam esta por outra e vivem à procura de um prazer e felicidade constantes, como se isso fosse possível neste tempo que se chama vida?
Afinal, ao longo destas décadas, mudamos muito. Pois é aí precisamente que reside o segredo de continuarmos juntos: a descoberta do outro, nas suas diferentes facetas e o compromisso com esta pessoa, a mesma, por quem nos apaixonamos. 
Para quem como nós, chega a este dia tão especial, parabéns! Grande feito! Experiência abençoada!


segunda-feira, 16 de março de 2015

O TEMPO

Tenho um tablet (geringonça moderna) que, ao ser ligado, aparece a hora num dos cantos. Hoje reparei que marcava  9h01 . Esperei até poder entrar na aplicação que desejava, e o relógio continuava a marcar o mesmo tempo. Esperei mais um pouco, curiosa para saber durante quanto mais teria que esperar. Toquei no relógio e a realidade mostrou 9h06.  Olhei outra vez para o tal canto e lá continuava a marcar 9h01...
Não preciso que me digam porque é que isto acontece, não quero saber, estas coisas electrónicas têm explicações que a razão desconhece. Mas o que aconteceu levou-me a uma reflexão profunda sobre algo a que prestamos tão pouca atenção - o tempo.
Imaginei o que seria realmente a vida, se os relógios todos, em toda a parte, deixassem de marcar o tempo. Quantas catástrofes, avarias, confusão, perigo, seria para a humanidade. Imaginei o Big Ben parado e toda a gente em Londres a olhar para o seu relógio porque as horas não soavam do alto da torre. Só que os seus, no pulso, nos telefones, também estavam parados e por isso, procuravam a quem passava,  mas esses também não saberiam responder porque os deles também não funcionavam. Imaginei...
Não vou dizer mais  o que pensei. A confusão seria total.
Os antigos não eram escravos do relógio, como nós. Trabalhavam de sol a sol. Paravam para comer quando o sol estava a pique e terminavam a labuta quando ele começava a esconder-se. A sombra dizia-lhes mais ou menos em que altura do dia estavam. Mas também a vida deles tinha um passo diferente e um ritmo assustadoramente calmo.
Pensei no chronos ( pelo qual nos orientamos)  que se refere a um segmento de tempo específico, tal como uma hora ou um dia. Como precisamos desta orientação. Impossível viver sem ela. Mas pensei também no kairos  (tempo apontado no propósito de Deus), o tempo indeterminado em que Deus age. Pode ser um momento, pode ser uma estação.E é aqui que nos confundimos e desesperamos. Porque Deus age no Seu kairos e nós só conhecemos o nosso chronos! Não são coincidentes. Quando  achamos que deveria haver  uma resposta AGORA, estamos a pensar em termos de relógio...quando afinal Deus pensa em termos de momento!
Não vou entrar em filosofia. Quero só aquietar o meu coração para o facto que o meu tempo está nas mãos de um Deus que tudo sabe.

quarta-feira, 4 de março de 2015

MOMENTO DE GLÓRIA

A estrada está ladeada de umas árvores pequenas, magrinhas, desfolhadas, sem graça. Os carros circulam, as pessoas caminham, sem que haja um olhar simpático para elas. Não têm importância.
Ontem passei pela mesma estrada que percorro todas as semanas  e de repente, vi-as, as árvores. Estão vestidas de um rosa vibrante, com flores pequenas e lindas, às centenas. A transformação veio repentinamente, por causa de algo que se sente já no ar, a Primavera. As árvores sem graça, passam a agora a fazer o deleite de quem passa e são muitas, vestidas de princesa!
Pensei que, como elas, todos nós por mais insignificantes que nos sintamos ou que os outros nos façam parecer, nem que seja por momentos  breves, teremos o nosso momento de glória. Ninguém passa pela vida sem esta experiência. Só temos que agarrá-la  nesse dia, brilhar muito, vestir-nos de realeza, porque todos a temos dentro de nós!