segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PAUSA

Segundo os bloguistas, estou calada há muito tempo. Deveria escrever todas as semanas, porque as pessoas que me seguem, procuram-me todas as semanas. O que acontece é que por fim...cansam-se e vão ler outros blogs. 
Não tem a ver com escrever ou não escrever, mas com o querer usar as palavras para que façam algum sentido dentro e mim. E não têm feito.E esse facto levou-me mais uma vez a um exame interior. Porquê? Eu, que gosto tanto de "dizer "coisas", porquê esta escassez de palavras, de ideias?
Conclui que não tem a ver com cansaço, nem com falta de assunto, nem mesmo com o muito ou pouco interesse que alguém tenha em ler o que escrevo, mas com uma necessidade de pausa, de silêncio, de olhar para dentro de mim e examinar as minhas motivações, desejos e expectativas. E aqui estou eu a quebrar esse silêncio, só para dizer isto. Olhem, faz de conta que fui de férias para uma ilha selvagem, onde a comunicação com o exterior é nula ou que me ausentei para um país distante onde é muito difícil aceder à internet...
Li no interessante livro do Apocalipse, que houve um silêncio no Céu durante meia-hora. Não sei o que fizeram nas altas instâncias celestes durante aqueles trinta minutos, mas sei que não houve cânticos, nem anjos a voar, nem ordens a serem emitidas, nada...silêncio.
Ora, se  Céu fez uma pausa, porque é que eu não posso fazer?

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

NO COMBOIO

Dentro do comboio, as pessoas "matam" o tempo de várias maneiras.Os que viajam acompanhados, conversam, recebem e fazem chamadas telefónicas que toda a gente tem que ouvir. Os solitários, esses dormem, usam o computador ou o tablet. Resolvi desta vez fazer algo diferente: olhar a paisagem. A nossa terra é linda! Qualquer percurso que façamos, tem beleza e encanto. 
Ao longo da viagem reparei nas casas. Muitas casas, umas grandes outras pequenas, umas modernas outras a cair de antigas. Muitas casas. Imaginei as histórias por detrás de cada porta fechada. As alegrias, saudades, tristezas, risos, discussões, doença, drama, tragédia, luto que haveria nas casas. Depois, um outro pormenor chamou-me a atenção. Durante duas horas e meia de percurso, não vi uma única  pessoa perto das casas, à janela, junto à porta, no quintal, nas hortas! Os seres humanos concentravam-se apenas nas estações, onde o comboio parava. Será que toda a gente viajou? Que as ditas casas estão abandonadas? Que todo o mundo foi de férias? Que aquelas casas estão lá só para dar alguma graça à paisagem e que ninguém lá vive? 
Pensei ainda em Deus, olhando para este mundo, à procura de um justo, sem conseguir encontrar ninguém, de tal maneira, que tem que mandar O Justo à terra para povoá-la de pessoas que se identificam com Ele e que passam a viver em justiça.
E meditei nas palavras sóbrias e solenes do livro da Revelação: "Olha  que estou a bater  à tua  porta.Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta. eu entro em sua casa, janto com ele e e ele comigo" .
Há por aí tantas portas fechadas, tantas janelas cerradas.
Uma pessoa quando viaja, tem que pensar em alguma coisa...

sábado, 8 de agosto de 2015

A SUA MISERICÓRDIA

Acordei muito cedo. Àquela hora em que não queremos dar um passo para não perturbar o resto da família. A brisa leve fazia ondular o cortinado do quarto. Os galos não cantavam, os cães não ladravam, o trânsito normal não existia. Era como se o dia, tal como eu, tivesse acordado sem saber ainda o que fazer. Fiquei ali, quietinha, a sentir o sossego e a calma do amanhecer. Não sabia  o que esse dia iria trazer-me. Não conseguia planear nada, porque o momento era leve, doce, tranquilo, fresco, silencioso, único...mas pensei na misericórdia de Deus, que é nova a cada manhã, assim, leve, doce,tranquila, fresca, silenciosa, única...
O primeiro som que ouvi depois desta tranquilidade, foi o sino da igreja a marcar as horas. Sempre o tempo, o implacável tempo, a dizer-nos que aquele momento de paz está a passar e que logo a seguir vem outro, sei lá de quê...
Mas de uma coisa tenho a certeza. Amanhã, esteja eu acordada ou a dormir, a misericórdia de Deus será nova, leve, doce, tranquila, fresca...outra vez!

domingo, 2 de agosto de 2015

UNIÃO

Alguém disse que "sós, vamos mais rápido mas juntos, vamos mais longe". É verdade  que há momentos na nossa vida em que temos que tocar a solo a sinfonia. Há instantes em que o jogo  depende apenas de nós. Há dias em que temos que ir à luta sozinhos...
Mas pense agora na beleza da música, quando toda a orquestra espalha sons de maravilha porque tocam juntos. Imagine uma equipa em que todos trabalham para o resultado final da partida. Veja o que um exército bem treinado e uniforme pode fazer  para derrotar o inimigo.
Estou a falar da força da união.  Estou a desejar que quem comigo vive, se aperceba que tudo o que faço não é para mim, mas para um conjunto de pessoas e que todos os objectivos que anseio alcançar, têm essas pessoas sempre em mente. Não quero fazer sozinha nem para mim apenas.
Acho triste o desejo quase doentio em certas pessoas que a luz do palco incida só sobre elas. Que os outros fiquem na obscuridade para que o brilho e o aplauso sejam só seus. Sinto-me frustrada quando entro numa corrida e os companheiros que estão comigo pensem na meta sem se preocupar se eu consigo percorrer os primeiros metros. Deus criou-nos como parte de um todo. O maior exemplo disso é a maravilha do nosso corpo. Cada parte, cada orgão diferente, a trabalhar para a saúde do todo. 
Se isto fosse assim na família, na igreja, na sociedade, que mundo seria o nosso! Não me importo que me chamem sonhadora, visionária. Vou continuar a acreditar que juntos...vamos mais longe, conseguimos mais, somos mais felizes!