sábado, 31 de dezembro de 2016

ADEUS 2016!

Ele está ali, desfalecido, fraco, sem alento. Aproximo-me para vê-lo melhor. Os olhos semicerrados, a boca entreaberta, a respiração lenta. O diagnóstico é que lhe faltam poucas horas  para morrer.
Já foi vigoroso, cheio de brilho, engalanado com as cores mais vivas do Verão e os cheiros mais doces da Primavera. Começou a esmorecer no Outono e adoeceu de vez no princípio do Inverno. 
Queria dizer-lhe tantas coisas antes que se vá. Vou tentar agradecer-lhe, porque deu tanta beleza à minha vida; porque trouxe gente especial ao meu caminho que acrescentou à minha existência; porque me ofereceu mesas fartas de riso e alegria que nunca experimentara; porque colocou sobre os meus joelhos envelhecidos, um embrulhinho com uma menina tão perfeita, que vou amar até ao fim dos meus dias... 
Enquanto lhe falo tudo isto, ele abre os olhos mortiços e esbate na boca um sorriso difícil. Ele sabe que lhe falta pouco tempo.
Mas queria dizer-lhe e perdoá-lo antes que se vá, como me feriu tantas vezes, me trouxe dores inexplicáveis, me fez chorar noites a fio, à procura de uma esperança que parecia nunca chegar. 
Com coragem, seguro-lhe as mãos geladas, aperto-as, para dizer-lhe que, para onde vai agora, todos os anos, iguais a ele, são recolhidos por um Deus que redime as faltas, limpa as lágrimas, perdoa os pecados e que usa cada ano que nos envia para que alcancemos corações sábios. 
A respiração agora é ainda mais lenta, o frio da morte já toca na sua fronte...é só uma questão de horas.
Adeus 2016! Foste igual a todos os anos que preenchem os meus calendários. Deste o bom e o mau, o sol e a chuva, a alegria e as lágrimas. Mereces que se despeçam de ti com gratidão, porque mal partas, já está outro à porta para sentar-se no teu lugar! 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

NATAL OUTRA VEZ

E é Natal outra vez. Este ano ele resolveu deixar de lado os agasalhos mais fortes e vestiu-se de sol e de luz! Mas tal como nos outros anos, a azáfama é igual: gente a encher lojas e centros comerciais à procura dos melhores preços para os melhores presentes, pessoas que sorriem  e conseguem dizer "boas festas" quando durante todo o ano nem lhes vimos os dentes...
Há realmente uma atmosfera diferente. Será o entusiasmo de reunir a família, de receber mensagens amigas, de decorar a casa com mais luz e brilho, de viajar para encontrar quem se ama? Pode ser. Pena que se tenham esquecido do personagem principal do Natal, porque aí, sim, a emoção de saber que Deus enviou o Seu Filho para fazer-se igual a nós, iria tomar conta de todos os festejos e daria um brilho muito maior ao ajuntamento familiar. 
A mensagem dos anjos aos pastores dizia: "...boa vontade entre os homens". Deus ainda hoje deseja que esta boa vontade, este espírito solidário, esta noção da carência dos outros à nossa volta, encham os nossos dias, nesta estação natalícia.
Em vez de fecharmos todas as portas e janelas da nossa casa para manter o calor só para nós, abramos os nossos corações para os doentes, desalojados, enlutados. Levantemos uma oração de Consoada pelos que trabalham nessa noite, para manter a saúde, a segurança, os transportes, os serviços necessários para a nossa vida citadina. Isso também é responder à mensagem angélica.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ESCREVO...PORQUÊ?

Tenho na minha frente uma folha em branco. Posso deixá-la assim. Muita gente deixa. Mas comigo a conversa é outra. É como se  aquele espaço vazio estivesse morto e eu precisasse, com a máxima urgência, dar-lhe vida. 
Mas escrevo o quê, nesta página em branco?
Se escrever sobre Deus, faltam-me as palavras, fico parada, sem saber o que mais acrescentar a um Ser que é todo sublime, todo poderoso, todo amor, todo.
Se escrevo sobre a minha família, quem lê, pensará que "me acho" mais que os outros, porque só posso descreve-la com tintas de cores doces e nuances de riso e loucura.
Se escrevo sobre mim, vão dizer que tenho ataques constantes de crises e de dúvidas, quando afinal as minhas crises cada vez mais me dão certezas.
Se escrevo sobre o que se passa à minha volta, estou sujeita a que me digam que não é bem assim, pois cada um vê o mundo pelos seus olhos.
Se escrevo sobre fé, esperança, amor, dizem que isso é bonito mas não é real.
Se escrevo sobre dores, logo a seguir recebo as mensagens da praxe que me dizem que "vai ficar tudo bem", que "o melhor ainda está para vir"...
Diante disto, o melhor era não escrever. Mas não consigo. A página está em branco, aqui mesmo, à minha frente, à espera de palavras que não são colocadas lá para a aprovação de ninguém, mas porque é mais forte do que eu.
Vou continuar a escrever. Ainda há muitas páginas em branco por aí.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A PARÁBOLA DO CABELEIREIRO

E o reino de Deus na vida de uma mulher pode assemelhar-se a alguém que decide ir tratar do cabelo. Fá-lo,  não por vaidade, mas por necessidade. Está sujo, desalinhado, com mau aspecto. Para isso, tem que marcar uma hora, sentar-se pacientemente na cadeira e deixar que o artista faça o que deve  ser feito. Primeiro é uma lavagem  tipo "esfrega", para que o sujo saia todo. O champô aplicado a seguir, tem como objectivo não deixar nada por limpar e o terceiro, para que o cabelo fique bem limpo, sedoso, brilhante. Depois começa a secagem e o penteado, feito com escovas diferentes. Às vezes, o calor do secador fere, mas pouco a pouco, o cabelo vai tomando jeito. Depois é o penteado, toque final da mão artística. E para que dure mais, é aplicado um spray, que vai ajudar o cabelo a ficar bonito e apresentável durante algumas horas.
E como todas as parábolas, esta também me ensina algo importante. Olho para mim e não gosto do que vejo. Preciso de tirar tempo para estar  com o meu Pai Celestial e deixar-me ficar nas  Suas mãos sábias, para que Ele me lave, uma e outra vez. Depois, aguentar o calor, tantas vezes desconfortável,  para chegar ao que Ele acha ser o formato que planeou para a minha vida e permitir que as Suas mãos criadoras, alindem aquilo que uns minutos antes era feio, sujo  e sem beleza. Olho no espelho da Sua Palavra  à medida que Ele trabalha  e noto como é sabedor dos pormenores mais pequenos, para que tudo fique a Seu contento. Fico abismada com o produto final. Mas Ele aplica ainda um spray de graça sobe a minha vida, para que a obra que acabou de fazer perdure mais um pouco. Despede-se de mim com um sorriso  e diz-me que me espera daí a uns dias...
E eu volto sempre. Sempre. Como não voltar, se Ele me faz parecer tão formosa e importante?

domingo, 23 de outubro de 2016

A MENINA DANÇA?

Era com esta pergunta que os rapazes convidavam uma moça para dançar...lá atrás, no tempo. Eu nunca dancei. Lembro que na escola, a professora de ginástica bem tentava que eu aprendesse os passos das danças, mas era escusado. Há uma dislexia entre os meus pés, e o que a minha mente sente da música. Não conjugam. Já casada, o meu amor, que dança muito bem, tentou ultrapassar esta dificuldade, mas depois de muitas tentativas, desistiu.
O engraçado é que eu adoro ver dançar. Acho aquele mover do corpo, das mãos e dos pés, algo mágico. Desisti deste prazer e desta magia que é ser levada por alguém, rodopiando, ao som de uma música.
Até que descobri na Palavra de Deus (cheia de incidentes de dança), uma frase que me trouxe esperança. Ao ler Mateus 11:28 numa versão parafraseada da Bíblia, Jesus Cristo diz: Aprendam os ritmos livres da graça! “ Quando li estas palavras o meu coração deu um salto. Afinal eu já dancei, eu sei dançar este ritmo! Se fixar os olhos no meu Senhor, vejo os Seus braços estendidos, sinto as Suas mãos a segurar-me e a música da Sua graça, move-me. É um ritmo livre. Os passos não têm que ser sincronizados. A graça é livre! A graça é feita do imerecido, do perdão, do esquecimento do que ficou para trás, de lembranças doridas que se vão desvanecendo, de lugares de horror que dão lugar a paisagens de sonho, de frustrações sem fim a promessas cumpridas. E quanto mais conheço esta graça, melhor eu danço! Só preciso de olhar para Ele, fixar os olhos no Seu rosto de amor, para dançar perfeitamente. Agora Ele enleia-me, mais forte e ouço o bater do Seu coração. Nem penso nos meus pés, que continuam a dançar...neste ritmo livre, livre!


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

GERAÇÕES

Que linda! Estou a falar da minha bisneta Isabelle. Ontem tive-a no colo e ao olhar a sua carinha recém-chegada ao mundo, não consegui deixar de lembrar o dia em que me colocaram nos braços a sua avó. Eu era jovem, cheia de energia e sonhos para a menina que Deus me tinha concedido. Foi um parto bem difícil, os dias a seguir ainda mais, mas ela venceu todos os obstáculos e fez-se uma mulher de carácter, de sabedoria, de fé, que toca o mundo à sua volta e sabe discernir o que Deus deseja para a sua vida. 
Depois lembrei o dia em que nasceu a sua mãe, a minha neta. Oh, meu  Deus! Que manhã aquela, de espera ansiosa, até que a enfermeira passou com o bercinho da recém-nascida e todos os temores desapareceram diante da perfeição deste novo ser. Os pais deram-lhe um nome que trouxe esperança à minha vida, num momento de fragilidade emocional.Hoje olho para a minha neta e sinto um orgulho profundo pela pessoa que é, pela determinação e capacidade de estar longe da família 5 anos para formar-se e pela esposa e mãe em que se tornou.
E agora...ali está ela, Isabelle, bisneta, num momento de fragilidade física da minha vida, a dizer-me sem palavras: "Louva a Deus, nonna, porque chegaste aqui! Nem todas as mulheres têm este privilégio! Nem todas podem gozar do carinho que te damos, muitas na tua idade já nem sabem por que vivem..."
Respiro fundo. A gratidão às vezes também nos sufoca...e não há como não deixar que ela escorra dos nossos olhos.

sábado, 15 de outubro de 2016

ESTAMOS VIVOS

A vida é salpicada de dor.
Possivelmente seria mais correcto dizer que ela é dor, salpicada de momentos de alegria...
Hoje estava a ouvir uma amiga contar das suas, tão grandes, tão estranhas, tão insolúveis. Comparei a minha existência com a sua e encolhi-me de gratidão.
De  qualquer modo, todos temos momentos de aflição, angústia, medo, perplexidade. Como encaramos esses momentos é que faz a diferença.
Ontem falei com uma senhora com Alzheimer. Já não a via há bastante tempo e pensei que ela teria um discurso diferente. Notei como se esforçava para lembrar-se das pessoas à sua volta e como tentava que tudo fosse perfeitamente normal, até ao momento em que deixou cair a chávena que tinha na mão. Acontece a  qualquer pessoa, todos os dias se parte loiça, mas para ela foi como se aquele percalço a avisasse, de tal maneira que disse logo: "Não devia ter saído de casa", ao que toda a gente respondeu que  aquilo não tinha importância, que acontecia a todos os mortais, mas ela foi ficando mais e mais recolhida, embora o sorriso lindo que sempre emoldurou o seu rosto, permanecesse.
Queixo-me de tantas dores. Tenho dias em que são tão difíceis de suportar. Mas o que é isso, comparado com uma mente que se vai fechando, até daqui a uns meses já nem saber quem são os filhos, nem perceber  o que veste ou se precisa de tomar banho?
A maneira melhor de encarar qualquer dor é agradecendo. Agradecer porque conseguimos dar-lhe nome, porque temos a noção onde começou e onde pode terminar, ser grata porque apesar de tudo, sentimos o carinho na voz de alguém, discernimos amor nos olhos de outro alguém, numa palavra - vivemos!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

TRANSIÇÃO

Esta transição ente o Verão e o Outono é bem curiosa. Os dias de grande calor parece darem lugar a um clima mais ameno, mas o sol não deixa de brilhar. A paisagem exuberante do arvoredo e do mar continua lá, só que com tons diferentes. Ainda não temos frio para ir buscar a roupa quente, mas não podemos descuidar-nos muito, porque as tardes já refrescam bastante...
O que acho interessante na mudança, é que as pessoas não ficam tristes com o adeus ao Verão. É que ele, por mais divertido que seja, também cansa!
Esta reflexão simples tem a ver com a vida de cada individuo. Mal comparado, um dia somos Verão e daqui a nada caminhamos para o Outono. Num dia aguentamos todos os calores da vida, mas chega a um ponto em que precisamos de algum descanso. Ontem fomos felizes, freneticamente felizes e hoje, sabe bem este conforto, poucas palavras, sossego e confiança no que possuímos. 
Gosto do Outono. Das cores, dos cheiros, das tonalidades quando o sol quer deitar-se, arrastando lentamente as  pontas douradas  e vermelhas dos seus lençóis pelo céu sem fim.
E gosto sobretudo de  saber que há um propósito para cada estação, um projecto traçado por Deus para cada fase da minha vida. Nesta, não posso dar o mesmo "fruto" que dei na Primavera, mas o que é próprio desta estação!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

SOZINHOS?

Oh meus amigos, isto foi uma tragédia, um drama, lágrimas e muita confusão. De repente recebo a notícia da Google que o meu blogue tinha terminado, porque não paguei o domínio. Ora bem, aqui a ignorante estava convencida que essa "coisa" se renovava automaticamente.  Nada. Fiquei muito triste porque tenho posts escritos desde 2009 e nem todos estão guardados. (Outra burrice).
Mas as grandes empresas têm maneiras de chegar até nós e depois de dezenas de mails, de mensagens telefónicas, hoje consegui recuperar este cantinho  que amo tanto.
Ainda bem que temos netos que são tão inteligentes nestas coisas da tecnologia! Ainda bem que não estamos sozinhos no mundo, mas somos parte  de uma rede enorme de entreajuda quando as dificuldades nos batem à porta. 
É interessante  isto ter acontecido exactamente hoje, porque tive um sonho medonho a noite passada. No sonho, estava com um grupo  de amigos, numa festa, mas um a um foram-se afastando e quando olhei à minha volta não havia ninguém e estava numa casa desconhecida, num lugar que nem conseguia identificar e  não tinha ninguém que me ajudasse a voltar para casa. Acordei em sobressalto com a sensação angustiante que possivelmente. um dia destes, isto pode acontecer.
Mas não é verdade, a grande Google pensou aqui na vossa amiga e não descansou enquanto não recuperei o meu blogue. O meu neto, perdeu uns minutos longos do seu tempo para ajudar. Não estamos sozinhos. O mundo tem muita gente. Haverá sempre alguém que nos estenda a mão, no momento mais difícil, na hora mais triste. E mesmo que os fantasmas mentirosos nos assaltem enquanto dormimos, será bom lembrar a tal frase do tal Senhor que prometeu: "Nunca  te deixarei, não te abandonarei..."

sábado, 6 de agosto de 2016

TESOUROS

Ora vamos lá continuar a historia sobre "tesouros"...
Quando o contentor com os "restos mortais" do que tinha sido muito da nossa casa chegou a Moçambique, por que ainda não tínhamos casa nossa, (vivíamos com os meus pais), pedimos emprestado um espaço na cave da igreja que estava em construção. Passados uns meses, depois de termos alugado um belo apartamento já a sair da cidade, lugar tranquilo e muito acessível, fomos abrir o contentor para começar a transportar os nossos "tesouros" para a nova casa. Quando tirámos a tampa do contentor, saem de lá baratas, aos milhares! Eu que tenho repugnância destes bichos saltei e gritei. Mas de repente parei, ao olhar para a cara to Tony Catarino. As baratas tinham comido toda a nossa roupa, cortinados, lençóis, enfim...o que havia para comer. Ficaram os quadros, as loiças (a maioria foi para o lixo, pois tinha tanto nojo dos bichos). Chorei em desespero, em frustração, tristeza, até não ter mais lágrimas. 
O meu coração ainda estava tão agarrado a estes tesouros...
(continua
)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

TESOUROS

"Não acumulem neste mundo tesouros que podem ser devorados por traças, corroídos pela ferrugem ou - pior! - roubados! Prefiram um tesouro no Céu, pois ali estará a salvo das traças, da ferrugem e dos ladrões. Não parece óbvio? Saibam que o lugar onde mais desejam estar é perto do tesouro e é lá que acabarão indo parar" (Mat 6:;19,20 A Mensagem)
Depois do post de Mateus 6, que é tão real na minha vida, lembrei quando fomos para Moçambique o que aconteceu aos nossos "tesouros". Foram muito bem acondicionados num contentor que foi entregue na alfandega para despacho. Poucos dias depois, recebo um telefonema dizendo que tinha que ir rapidamente a um determinado lugar perto de Sta.Apolónia em Lisboa, pois tinha havido um acidente com o nosso contentor. Quando la cheguei, vi os meus "tesouros" espalhados pela linha férrea e sei lá mais por onde. Tinham colocado o contentor junto da linha e com o trepidar dos comboios o contentor foi deslizando até cair para ser "atropelado" por uma máquina. Eu e um querido amigo que me acompanhou, fomos apanhando o que era possível ainda resgatar e deixar na alfandega para ser posto noutro contentor.
Quando o contentor com os "restos mortais" do que tinha sido muito da nossa casa chegou a Moçambique, por que ainda não tínhamos casa nossa, (vivíamos com os meus pais), pedimos emprestado um espaço na cave da igreja que estava em construção. Passados uns meses, depois de termos alugado um belo apartamento já a sair da cidade, lugar tranquilo e muito acessível, fomos abrir o contentor para começar a transportar os nossos "tesouros" para a nova casa. Quando tirámos a tampa do contentor, saem de lá baratas, aos milhares! Eu que tenho repugnância destes bichos saltei e gritei. Mas de repente parei, ao olhar para a cara to Tony Catarino. As baratas tinham comido toda a nossa roupa, cortinados, lençóis, enfim...o que havia para comer. Ficaram os quadros, as loiças (a maioria foi para o lixo, pois tinha tanto nojo dos bichos). Chorei em desespero, em frustração, tristeza, até não ter mais lágrimas.
O meu coração ainda estava tão agarrado a estes tesouros...
(continua)

sábado, 2 de julho de 2016

A DOR

Ela persegue-me, incomoda-me, fere-me, ri na minha cara. A dor. É feia, bafienta e traz com ela um arsenal de armas pequenas e grandes que usa para me ferir, magoar e impedir a caminhada. Já tentei mandá-la embora com boas palavras, sem resultado. Já gritei na cara dela e riu baixinho. Umas vezes finjo que não está lá, que a estrada está livre, outras ignoro-a, viro-lhe as costas, finjo que não existe. Mas sinto-a. Os passos são fortes, o cheiro é estranho.
Um dia destes resolvi olhá-la de frente. É magra, rugosa, de tão antiga que é. Reparei que tinha umas roupas que deve ter roubado Do meu guarda-fato. Mas de sujas que estavam, quase sem cor, tive dificuldade em dizer o que eram. Aliás, tudo nela é sem cor, ou antes, é de uma cor cinzenta, desbotada.
Segue-me para as festas, para as férias, para a praia. Tento em vão expulsá-la de casa, mas acho que tem uma capacidade de entrar pelas frestas das portas. Deito-me à noite com a esperança que, enquanto durmo, ela desapareça, porque não há nada que possa fazer. Mas mal abro os olhos, durante a noite, de madrugada, de manhã, vejo-a aninhada no tapete do quarto, com um dos olhos abertos, pronta para atacar-me.De vez em quando, tenho a sensação que se foi embora,  mas depois, alguém fala o nome dela, menciona-a sem entender o quanto me magoa.
O único lugar onde não é entra, é numa zona de sombra fresca, com riachos a cantar e chilreios de pássaros exóticos. Chama-se o "esconderijo do Altíssimo". Não a deixam entrar. Fica à porta, amuada, à espera. Lá dentro, refaço as forças, respiro o ar puro da sombra divina e descanso de tanto ser perseguida.
Acho que se um dia ela desaparecer, de vez, até eu própria vou achar estranho...

quinta-feira, 16 de junho de 2016

MORRER

Como será morrer?
Morre-se, quando o coração perde a vontade de bater.
Morre-se, quando os sonhos desaparecem com a última nuvem.
Morre-se, quando os braços ficam gelados pela falta de abraços e a boca se fecha porque não há a quem beijar.
Morre-se, quando passamos no meio da multidão e ninguém dá pela nossa presença.
Morre-se, quando chegamos à última página de um livro que não queríamos que terminasse.
Morre-se, quando o silêncio é o único som.
Morre-se, quando vemos toda a gente a correr e os nossos pés já não andam.
Morre-se, quando o espelho nos diz que o que está à vista é apenas uma ilusão.
Morre-se, quando não há mais projectos, nem tarefas onde façamos falta.
Morre-se. Devagar. 
Porque nem todas as mortes são rápidas, violentas, inesperadas. Há muitas assim. Devagar. 
Lentamente, como uma vela que se vai apagando e ninguém dá por falta da luz, porque já era tão fraquinha... 


quinta-feira, 19 de maio de 2016

MULHER LEAL

“...O coração do seu marido está nela confiado e a ela nenhuma fazenda faltará..." 

O Coração do Seu Marido Confia Nela 

            Quando penso nesta qualidade de carácter da mulher virtuosa, parece-me ver na minha frente uma enorme rocha – nada pode movê-la! 
            A base mais sólida para qualquer relacionamento é a confiança. Nenhuma relação pode subsistir se lhe faltar este elemento. A desconfiança tem sido a barreira para a continuidade de um bom casamento, para a duração das amizades, para o fortalecimento das relações de trabalho, para a paz entre as nações. 
            A Bíblia tem muito a dizer sobre esta virtude, mas gostaria que abrisses em Gálatas 5: 22, onde há uma lista do fruto do Espírito. No meio dessas variedades maravilhosas do fruto, há uma que se chama fidelidade. Tu e eu podemos confiar em Deus porque Ele é fiel e a Sua palavra é fiel. Somos chamados muitas vezes a confiar n’Ele em todo o tempo (Salmo 62:8) e em retorno, Ele espera que tenhamos esta qualidade em nossa vida. 
            Quando a mulher virtuosa é exposta como alguém em quem o seu marido pode confiar, esta confiança, no seu original, significa,“correr para um refúgio, um lugar de segurança”. A mulher que encontrou o seu valor em Cristo, tornar-se-á um lugar de segurança, um refúgio para o coração e para a vida do seu marido. Ele pode partilhar com ela os seus mais íntimos receios, as suas dúvidas mais estranhas. 
 O Criador olhou para Adão e viu quão solitário ele se encontrava, sem alguém que o entendesse, que lhe desse tranquilidade e descanso. Os animais à sua volta, por mais belos, majestosos ou estranhos, não tinham esta qualidade. Por isso o Senhor deu Eva a Adão. Era este tipo de relação que Deus tinha em mente quando fez a mulher para o homem: “E ambos estavam nus, o homem e a mulher e não se envergonhavam” (Gen 2:25). Esta transparência na intimidade, é como um lugar de abrigo, seguro, que ninguém pode invadir... 
            Há mulheres que nunca adulteraram, que fisicamente têm sido fiéis aos seus maridos, mas têm-nos atraiçoado expondo os seus segredos, as suas intimidades. Nunca lhes passou pela cabeça ter outro homem, mas no entanto, não respeitam o trabalho e esforço do seu marido, gastando o seu dinheiro e economias sem qualquer problema. 
            Outras minam a autoridade dos seus maridos diante dos filhos, dizendo exactamente o contrário daquilo que ele estabeleceu, ridicularizando as fraquezas do pai diante das crianças, criando nestas a ideia que o pai é alguém com quem não vale a pena preocupar-se.

...nenhuma fazenda faltará.

Este homem, cantado no poema da mãe do rei Lemuel, é alguém a quem nada falta. Na confiança que tem na sua mulher está a sua maior riqueza. Pode confiar-lhe os filhos, dinheiro, bens, segredos. A sua mulher pode guardar tudo. O homem é rico! Tem uma mulher que demonstra no seu viver diário o coração de Deus, a Sua fidelidade. Isso é mais do que sonho, é uma realidade feliz. 

Pede ao Senhor agora mesmo, que sonde o teu coração. Se alguma vez falhaste, traindo a confiança do teu marido, que o Seu Espírito te dê a graça de alterar esta situação, de curar esta deficiência, de perdoar esta falta.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

JOIA RARA (2)


(Provérbios 31:10)

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis...” 
            Depois de estabelecer os valores sobre os quais o trono do seu filho deveria assentar, a mãe do rei Lemuel queria agora dizer-lhe que tipo de mulher o seu filho deveria colocar ao seu lado, nesse trono.       
            O poema que a rainha-mãe cantou, é curioso na sua estrutura. É feito em acróstico, isto é, cada novo verso começa com uma letra do alfabeto hebraico na sua sequência e, embora esta não seja a nossa maneira normal de fazer poesia, é a sua mensagem que tem importância, o seu conteúdo que nos interessa.
Mulher virtuosa... 
            O nosso diccionário diz que virtude “é o conjunto de todos os valores morais”. Segundo a Bíblia, tem a ver com nobreza de carácter, com as qualidades que coroam a vida de um indivíduo. 
            A mãe do rei tinha em mente chamar a sua atenção para essa mesma beleza de carácter que ele devia procurar na sua futura esposa. Muitas mães transmitem aos seus filhos valores errados de beleza, que mais tarde os levam a praticar acções e erros profundos. Quantas mulheres ensinam aos seus filhos que deverão procurar uma esposa entre as “meninas bem” do seu meio, entre as que têm fortuna de família, entre as bonitas e esbeltas e as que têm bons cursos “que dão dinheiro”, esquecendo que nenhuma destas coisas é passaporte para a felicidade num casamento. 
            Estás a orar para que a futura esposa do teu filho seja, acima de tudo, uma mulher de carácter nobre? 
...quem a achará? O seu valor muito execede o de rubis 
            Claro que não é fácil encontrar tal mulher!  Só basta ler os versos seguintes até ao final do capítulo, para concluir que é mesmo difícil possuir toda esta nobreza, todas as qualidades que fazem desta mulher um ser tão especial. 
            Consultei uma enciclopédia para ter uma ideia mais exacta do valor dos rubis e eis o que conclui:           
            “Rubi – É composto de óxido de alumínio e em dureza muito próximo do diamante. Muitas destas gemas são encontradas no cascalho dos depósitos dos rios, mas a rocha-mãe é uma metamorfose de xisto ou pedra calcária cristalina. O desgaste pelo tempo, liberta da rocha a matéria da gema. Alguns rubis contêm “seda”, que é uma interlaçagem de minúsculas agulhas rutilantes que se cruzam em ângulos de 120 graus. Quando há uma grande profusão de “seda”, o corte do minério é mais suave. Esta forma revela a “estrela” da gema quando é vista à luz artificial. Os mais belos rubis vêm de Mogok, em Burma. Outros de cor mais profunda, encontram-se em Bangcoque, na Tailândia, outros de cor mais clara podem ser achados no Sri Lanka. O rubi é uma pedra de muito valor por causa da riqueza da sua cor e também pelas qualidades de duração. Os rubis quase sem falhas são raríssimos e podem ir além do preço do diamante do mesmo corte e tamanho”. 
            Imagino que o rei Lemuel deveria possuir rubis nos seus anéis, na sua coroa, nos ganchos que prendiam os seus mantos reais. Saberia decerto o seu imenso valor, por isso entendeu o que sua mãe lhe queria transmitir. A comparação que ela faz da mulher nobre com o rubi, tem muito a ver com a sua profunda beleza, o seu valor, a sua durabilidade e a maneira como é produzido. Qualquer homem inteligente procurará esta pedra preciosa para a sua vida.
Valor 
1. O valor de uma mulher está no facto de ter sido feita à imagem de Deus. Lê o que está escrito em Genesis 1:27. Esta imagem de Deus está impressa na mulher também. Ela tem a capacidade de percepção de Deus, entende o divino e o sobrenatural, a ela foram dadas da mesma maneira o sentido do que é moral e do que é digno. 
            2. O seu valor reside também na tarefa que lhe foi entregue pelo Criador – dominar e cuidar a terra. O Senhor Deus colocou tudo o que se movia, todos os seres viventes debaixo do governo do homem e a mulher (Gen 1:26,27); a mulher teria parte essencial no desenvolvimento da raça humana, na procriação (Gen 1:28,29). Quando Adão viu Eva pela primeira vez, ele não a viu como “sexo frágil”, mas igual a si mesmo “osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gen 2:23). Viu-a como sua companheira de humanidade, viu-a no seu valor verdadeiro. 
            3. O valor da mulher está ainda na redenção operada por Jesus Cristo. Quando o Salvador nasceu, o valor da mulher na sociedade era posto em causa, eram-lhe negados respeito e privilégios, quer a nível político, económico, na educação e na religião. As mulheres judias não eram ensinadas como os homens. Mas Jesus ensinou-as em público! Um homem nunca tocaria numa mulher com medo de ser contaminado, mas Jesus tocou nelas para curá-las. Muitas das grandes verdades do cristianismo foram reveladas às mulheres em primeira-mão. E a maneira de Jesus ver a mulher, transformou também a concepção dos discípulos – elas esperaram pela plenitude do  Espírito Santo, juntamente com eles! Na primitiva igreja, ocuparam lugar de respeito e destaque, basta ler o que está escrito no último capítulo da carta de Paulo aos Romanos. 
            Talvez és uma dessas mulheres a quem a família e a sociedade estigmatizou com as palavras “não vales nada”, “não prestas”, mas se estás em Cristo, tens em ti mesma todo o valor que atrás citei: da imagem de Deus
em ti, do papel para o qual Ele te criou e da redenção gloriosa operada pelo Filho de Deus a teu favor. Já que abriste a Bíblia na epístola aos Romanos, procura o capítulo 5 e verso 8. Aí tens o que faz que tenhamos VALOR! “Mas Deus prova o Seu grande amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. 
            Este é o primeiro passo para ser a mulher virtuosa de Deus, para ensinar as tuas filhas a ser essa mulher e para instruir os teus filhos a procurá-la como a uma jóia rara. Deus colocou na mulher um valor incalculável, por causa do Seu grande amor. (continua)


terça-feira, 3 de maio de 2016

MULHER IDEAL...PRECISA-SE. (1)

Os posts que publico a seguir, fazem parte de um trabalho que, talvez um dia, venha a ser um livro...

A Base de Um Trono
(Provérbios 31:1-9)
  
            Imagina a sala do trono. Tapeçarias, ouro, brilho e esplendor rodeiam o homem sentado naquele assento tão especial. Inclina-se com atenção para uma mulher que carinhosamente lhe afaga as mãos cheias de anéis, que fala pausadamente, como se o tempo não tivesse mais valor e no universo só existisse aquele instante em que as palavras sérias e doces se derramam em cuidado e conselho. Lemuel, o rei, ouve atentamente as palavras da sua mãe. Ao lermos o livro de Provérbios, a palavra da “profecia” da rainha-mãe do capítulo 31, muda a tonalidade puramente masculina do livro e coloca sobre a mulher uma carga feliz de responsabilidade social e observância religiosa. 
 A velha senhora está preocupada em colocar uma base sólida para o reinado de seu filho. Por isso mesmo, propõe-se relembrar-lhe os princípios que irão estabelecer esse reino: pureza sexual, sobriedade, justiça, bondade e...uma boa esposa. 
"Meu filho..." 
É interessante notar como ela se refere ao filho. Palavras apaixonadas, de terna afeição e que denotam uma relação muito profunda entre ambos: “Filho meu, filho do meu ventre, filho das minhas promessas” (v.2). 
Chamo a atenção para este pormenor, porque me parece que muitas mulheres no nosso tempo olham os filhos como se a maternidade fosse apenas “lei da vida”, em vez de alguma coisa tão intensa, tão bela. Encontro muitos jovens que me dizem nunca ter recebido um beijo, um afago sequer das suas mães, quanto mais palavras que minimamente se comparem com aquelas que citámos. Os nossos filhos precisam saber que são importantes em nossa vida, que o amor que lhes dedicamos é profundo e activo, que a ternura que lhes damos é verdadeira, real e este afecto, deve ser também traduzido em palavras e gestos. 
Os conselhos desta mulher são como um apelo profundo, um grito de alerta, uma bandeira vermelha diante do rei: 
Pureza sexual 
            O livro de Provérbios está cheio de avisos contra as mulheres fáceis, que com palavras e actos seduzem os jovens. Parece-nos que a linguagem sagrada está totalmente despropositada num mundo liberado sexualmente, onde a mulher e o homem procuram o seu prazer, seja qual for o preço, onde
não há nenhuma restrição para aquilo que é a satisfação imediata dos sentidos. A somar a isto, temos os exemplos flagrantes de governantes e líderes políticos e religiosos, cujas aventuras e “deslizes” sexuais são o prato favorito dos exploradores da notícia fácil. 
No entanto, ainda que os padrões tenham baixado, a mulher virtuosa de Deus, ensinará aos seus filhos este caminho e esta conduta. O verso 3 indica que a força do homem não está no número de conquistas femininas, mas no caminho de separação do pecado e da pureza sexual. A estrada contrária é de destruição tanta para reis, como para homens vulgares. Ao estudarmos a história dos impérios mundiais, descobrimos como este caminho fácil da sensualidade levou monarcas e tronos à destruição. A mãe do rei sabia do que estava a falar. Ela já vira outros a serem destruídos pela orgia, pela promiscuidade, pela falta de pureza. 
            Quando o apóstolo Paulo pregou aos gentios das grandes cidades de Filipos, Tessalonica, Atenas e Corinto, sabia que a vida daqueles que aceitassem Cristo teria que sofrer uma reviravolta radical, pois o mundo helénico era muito parecido com o nosso. Os homens e as mulheres que queriam seguir Jesus ficavam isolados dos seus amigos e da sua sociedade, ao quererem afastar-se das práticas sexuais do seu tempo e cultura. Por isso Paulo escreveu mais tarde a carta à igreja de Tessalonica e nela os exortou, de uma forma veemente, a abster-se de tais práticas (I Tess. 4:1-7). 
            Como é que vamos ensinar isto aos nossos filhos, num mundo onde há tanto comodismo de ideias, onde tudo parece permitido? 
Temos que instruí-los que o nosso corpo: 
¨      é maravilhoso, mas que temos que conhecê-lo bem para podermos controlar os seus apetites;
¨      que uma vez tornado templo do Espírito Santo, não pode ser maculado com o pecado;
¨      que tem que ser apresentado a Deus, como um sacrifício vivo;
¨      que Deus deve ser glorificado nele. 
            Mostra aos teus filhos que a alternativa para a SIDA não é o preservativo, mas uma vida de pureza e que embora os outros digam o contrário, o que a Palavra de Deus diz é a VERDADE.
Sobriedade
             No dicionário esta palavra significa temperança, moderação, reserva. 
 A rainha alertava o jovem rei para o perigo dos excessos, especialmente em relação à bebida. (vs.4-7). É fácil compreender a razão desta advertência. A embriagues levaria o rei a esquecer-se dos seus compromissos, das leis que ele próprio implantara. Beber era cultural naqueles dias. Nos nossos também. Muitas mães não se apercebem que os seus filhos, ainda adolescentes, estão já consumindo álcool nas festas escolares, nos 
aniversários dos amigos, nos intervalos das aulas. É bem cedo na vida que temos que colocar estas bases de temperança para uma existência saudável e feliz para os nossos filhos. Lê atentamente Provérbios 23:26-35 e ora a Deus para que te dê a coragem de lutar contra este flagelo da nossa sociedade – o álcool. Lares desfeitos, crianças abandonadas nas ruas, miséria, são apenas poucas coisas do efeito da bebida sobre a vida das pessoas. Um dia, os teus filhos serão líderes na sua casa, nas sua empresa, na sua igreja, quem sabe até no governo, e esta base que estás a colocar sob a sua vida pagará dividendos gloriosos. 
Justiça
            “Como é que vou ensinar justiça, se tudo à minha volta grita exactamente o contrário?” Bem cedo na vida, os nossos meninos aprendem o que é injustiça, às vezes até no lar! Como é possível ensinar-lhes este conceito?  
            A mãe do rei sabia quão importante era para o seu filho “abrir a sua boca a favor do que não pode falar e executar o direito de todos os que se acham desamparados” (v.8). 
            A mulher cristã tem uma grande responsabilidade em colocar estas sementes de justiça no carácter dos seus filhos. Justiça não tem apenas a ver com o que é certo ou errado para o bem dos outros, mas antes em fazer o que é recto aos olhos de Deus. Estuda a história de José, marido de Maria e ali verás espelhado o que quero dizer. Segundo a “justiça” humana, ele deveria deixar Maria, pois a sua gravidez só podia dizer que ela lhe fora infiel. Mas José preocupou-se mais em fazer “justiça” segundo Deus e aguentar os resultados das suas acções. Cada uma delas, mostram a sua grandeza de carácter e o princípio que alicerçava a sua vida – fazer a vontade de Deus: 
¨      Ao casar com Maria naquela pressa, quebrou todas as tradições, mas protegeu a reputação da sua noiva.
¨      Ao deixá-la virgem até ao nascimento de Jesus, protegeu o milagre do Verbo de Deus feito carne numa mulher.
¨      Ao dar ao menino o seu nome “filho de José”, tornou-o parte de uma família. 
É este tipo de justiça que temos que colocar como base na vida dos nossos filhos: a vontade de Deus que é sempre perfeita e sempre bela.
Bondade 
É outro conceito que parece não fazer parte do vocabulário moderno. Dá a impressão que está ligado apenas a um grupo restrito de pessoas, que, por terem posses materiais, podem dar bens aos outros e fazer disso um programa de vida. Segundo a Bíblia, bondade é um fruto do Espírito Santo e na vida dos nossos filhos, esta semente tem que ser colocada pelo nosso exemplo. Pequeninos actos, simples gestos, acções mínimas, podem ensinar-lhes o que está em plenitude no coração do Pai Celestial. Ele é um Deus Bom e deseja que os Seus filhos também o sejam. 
        Já leste as “Mil e Uma Noites”? Pois a conversa que a mãe do rei Lemuel teve com o seu filho, parece uma dessas histórias! 
            Ela estendeu as pernas, colocou-se numa posição mais confortável. Os servos correram para atender algum desejo do seu rei. Mas ele queria apenas ouvir... 
Estava preso das palavras da sua mãe, da sabedoria do seu amor e da segurança que o seu ensino lhe proporcionava. Quando ela alvitrou cantar-lhe um poema, ele acedeu. Além disso, ela tinha dito que nesse poema lhe daria o retrato da mulher ideal. Como poderia resistir?













 







quarta-feira, 20 de abril de 2016

O CAMINHO

À medida que os anos passam e a vida vai-se esvaindo entre os intervalos da minha loucura, de repente, descubro que a estrada vai ficando mais estreita. As amizades ficam mais escassas, a saúde mais curta, as capacidades menos reconhecidas, a saudade mais profunda, a paixão difícil de acender, o mundo mais escuro, a esperança mais ténue, os livros mais relidos, as fotos mais gastas, os olhos mais focados, o coração batendo num ritmo mais lento...As montanhas parecem mais altas, os mares mais profundos, as pontes mais distantes, as praias mais inacessíveis, as canções cantadas a medo, as lágrimas mais difíceis de saltar... 
A estrada é agora mais estreita e no entanto, lá ao fundo, há uma luz que nunca vira antes, quando tudo era azáfama, ardor, força e presença dos que amo. O caminho fica mais íngreme e tenho que parar de vez em quando, mesmo por que, numa curva inesperada, a paisagem é deslumbrante. A luz fica mais próxima. Agora a estrada é um carreiro no meio de um bosque. Só tem lugar para uma pessoa. Daqui para a frente não há como me perder; os atalhos acabaram, os sinais ao longo do caminho desapareceram, o silêncio é só quebrado pelo chilrear dos pássaros e pela minha respiração. Mas não há tristeza. É como se eu soubesse há muito tempo, que este caminho só é meu, que não tenho que partilhá-lo com mais ninguém, que as águas que correm no rio ao lado são só minhas e que as flores que crescem na beira do carreiro estão lá por minha causa. 
A luz é mais forte agora. Mas mesmo sem escolher, sinto que alguém resolveu seguir o mesmo caminho. Os passos na vereda ficam mais próximos e o desconhecido fala comigo sem pedir licença. Invade os meus pensamentos, põe a nu o meu coração, penetra a minha mente com palavras que me seguram e, de repente, dou comigo a pedir-lhe: "Fica comigo, porque é tarde e o dia já declina"... Afinal, a vereda dá para caminharmos os dois, juntos, para a luz...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

NORMAL

Gostava de escrever sobre coisas extraordinárias, lindas, deslumbrantes, únicas. Gostava muito. Mas a vida não as encontra a cada esquina. Quando aparecem, até nos faltam as palavras, de tão raras que são. E limitamo-nos a gozá-las e a não querer que ninguém nos tire nada do que sentimos. Fora desses acontecimentos esporádicos e raros, a vida rola normal. 
E estive a pensar, o que será isto de "normal"? Levantamo-nos e tomamos o mesmo pequeno almoço; pegamos na carteira e quando chegamos ao carro lembramos que deveríamos ter trazido um saco com algo necessário. Chegamos ao trabalho e descobrimos que uma colega amiga, não está. Procuramos saber o que se passa e alguém, com os olhos baixos, diz que o marido da nossa  colega saiu de casa, para ir viver com outra mulher. Sentimo-nos impotentes, cheias de raiva. Já tinha acontecido com uma outra, no mês passado. E damos voltas à cabeça como é que aquela pobre pode criar um filho pequeno, com deficiência, sozinha, sem amparo. E falamos com os nossos botões: "isto não é normal!".
É isso, eu prefiro viver a rotina do normal, salpicada aqui e acolá por algo mais colorido, mas que me traga consistência, segurança, companheirismo, carinho. Ainda não entendi muito bem o que se passa com o ser humano que parece nada o satisfazer, que não é capaz de se desdobrar um pouco mais pelos outros, que olha constantemente para o seu umbigo, que não se dá, que só quer receber, que avidamente procura os tais momentos deslumbrantes, sem perceber que desde o princípio do tempo a água dos rios corre para o mar, que as andorinhas voltam em cada Primavera, que os figos amadurecem no Verão, sempre, todos os anos. 
Oh, se soubéssemos apreciar com olhos "deslumbrados" a beleza da rotina de ter um filho a estudar para um exame e vê-lo chegar a casa com uma nota que dá para passar...se nos alegrássemos porque o bechamel desta vez saiu perfeito e a família vai adorar...se o encanto do primeiro amor nos olhos da nossa menina nos dissesse que está tudo bem, que é assim mesmo, que é a lei natural da vida, que eles nascem, crescem e fão reproduzir-se...
Normal? Pode ser, mas muito do que cabe neste capítulo, continua a ser extraordinário, deslumbrante e único. Depende do olhar com que o vemos.

sábado, 26 de março de 2016

É MUITO BOM!

E a Primavera que teima em não aparecer em toda a sua força! Lá terá as suas razões. Mandou as andorinhas à frente, enfeitou algumas árvores de flores e recolheu-se num gelo e numa chuva que não lhe ficam muito bem. Esperemos que lhe passe o amuo.
Com frio ou sem ele, a vida continua. E chegamos a mais uma Páscoa. E também aqui as coisas não estão muito definidas. Os folares, de todos os feitios, alinham-se ao lado de bolos-rei, de filhoses e de sonhos. Mas isso não era no Natal?  Quem manda não diz nada e lá se vai comendo do que se gosta!
Também a vida é como um rio que sobe, que se espreguiça,  que se confunde com as margens, que é navegável, mas que pode ter lugares de perigo, de quedas, pouco confortável. 
Gostava de situar-me  no percurso desse rio hoje, mas não consigo. Lembrei que há coisas que amava fazer e que agora não são mais possíveis: cantar (bem tentei, mas é mesmo como dizem, saiu um som de cana rachada), fazer as tarefas da casa sem custo, correr, andar sem ter rumo até chegar a um lugar lindo onde parava e tudo fazia sentido. Não posso. Não vou demorar-me nas impossibilidades, mas naquilo que hoje faço e que não sabia fazer quando ainda vivia na Primavera da vida. Coisas tão boas, sobretudo porque na sua maioria são feitas para os outros e não para me trazer alguma satisfação pessoal ou reconhecimento. 
As estação da vida são diferente, embora às vezes se misturem e vão buscar cores às outras. Cada Páscoa é única. Numa há sol vibrante, noutra a chuva insiste em cair. Será por isso que olho o mundo e as pessoas à minha volta e ainda consigo dizer como o Criador: "É muito bom"?

quinta-feira, 17 de março de 2016

NOBREZA

Fevereiro foi um mês para alinhar o meu corpo em posições onde a dor fosse suportável. Chegou Março, de manhã Inverno e à tarde Verão...e a dor continua, mas há tanto para viver! 
Empurro a dor e encontro pessoas maravilhosas que pensava eu, nesta fase da minha vida, seria já difícil acontecer. Gente que me ensina, que me desafia, que me estimula a ser melhor, a querer pensar mais alto e voar para lugares onde o ar é mais puro e os pensamentos mais nobres.
Achava  eu, que a esta hora, já tinha conhecido toda a espécie de gente. Agora tenho a certeza que a cada esquina dos meus dias, ainda posso ser surpreendida por alguém tão especial, ao ponto de desejar ainda, sonhar ainda, ser como ela...
A nobreza de coração não tem a ver com idade, com estatuto social ou educação académica. É como uma árvore,  bela, erecta, cujas folhas se renovam a cada estação, sem perder o verde. Está lá, como uma marca. Seja o que for que essa pessoa fale, sugira, lamente ou corrija, a nobreza é a marca . Até quando chora, fá-lo de maneira diferente. As lágrimas não gritam, os soluços não se ouvem, caem em silencio no lenço imaculado e quando nos despedimos, o abraço devolve-nos um perfume nobre.
Março, está a ser muito bom. Aprendi tanto. Aprendi o que é nobreza verdadeira.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CANSAÇO

Pela primeira vez na minha vida estou cansada ao ponto de não ter vontade de escrever. Acho que não é um bom sintoma. Aliás, de há umas semanas para cá...estou cansada.
O que nos cansa, afinal? 
A doença? Mas isso tem remédio, toma-se umas vitaminas, uns fortificantes e volta tudo ao normal. 
As pessoas? Cansam-nos. Quando prometem estar presentes e só sentimos o vazio da ausência. Quando dizem uma coisa com a boca e o coração está muito longe. Solução? Vive-se sem elas...
O tempo? Qual tempo? A chuva, o frio? Para isso há casacos e chapéus de chuva e daqui a nada as andorinhas já estão a construir os ninhos.
A idade? Cansa, sim senhor. Não poder ir, não poder andar e contra isso não há muito que se possa fazer a não ser umas caminhadas, uma ginástica... dizem os entendidos.
A vida? Claro que cansa. A rotina, a falta dela. O trabalho, a falta do mesmo. O dinheiro, o pouco que se tem. Os amigos que deixam de ser ou se lembram de morrer.
Só há uma solução para isto tudo: Os que esperam no Senhor...não se cansam...não se fatigam...correm sempre...voam sempre...como águias!
Vamos lá, Sarah. Arranca aí num voo picado! 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

VOLTEI!

Não desisti, de todo. Os meus seguidores e leitores terão pensado que desapareci, que decidi parar de escrever.  Nada disso. O final de ano e o princípio deste 2016 foram muito difíceis. Estive muito doente, passei o Natal na cama com uma destas gripes de "estimação",  uma tosse tão violenta que nem o antibiótico parecia conseguir vencer. Num desses acessos de tosse, desloquei uma vértebra na coluna e aí é que a coisa piorou. Durante 20 dias não consegui deitar-me. Cada vez que o fazia, os espasmos de dor eram como choques eléctricos que me atravessavam toda. Dormitei, neste dias, num sofá com pés, sozinha, na sala. Noites imensas, enormes, porque ouvia todos os sons da rua e a partir de uma certa hora, o sino da igreja, implacável, dizendo que a manhã estava  a raiar.
Nesse estado de dor intolerável, fui visitada por "anjos" que me trataram, por orações de amigos que suplicaram a Deus por mim, pelo carinho de quem me conhece e estima. Mas mais do que isso, nas longas horas da noite, a Palavra de Deus foi o meu consolo, a Presença de Deus foi o meu ânimo, o Espírito Santo que vive em mim, o meu consolo. Nas horas de meditação silenciosa, entendi mistérios que nunca tinha desvendado, entrei nas profundezas da minha alma e fiz balanço à minha vida.
As dores, físicas ou emocionais que nos assaltam, podem ser um meio único pata nos fortalecer e nos levar a querer ser pessoas melhores, mais compassivas, tolerantes e cheias de graça. Ainda tenho um longo caminho até ficar bem, completamente, mas isto tudo para dizer-vos que ESTOU DE VOLTA!