sábado, 26 de março de 2016

É MUITO BOM!

E a Primavera que teima em não aparecer em toda a sua força! Lá terá as suas razões. Mandou as andorinhas à frente, enfeitou algumas árvores de flores e recolheu-se num gelo e numa chuva que não lhe ficam muito bem. Esperemos que lhe passe o amuo.
Com frio ou sem ele, a vida continua. E chegamos a mais uma Páscoa. E também aqui as coisas não estão muito definidas. Os folares, de todos os feitios, alinham-se ao lado de bolos-rei, de filhoses e de sonhos. Mas isso não era no Natal?  Quem manda não diz nada e lá se vai comendo do que se gosta!
Também a vida é como um rio que sobe, que se espreguiça,  que se confunde com as margens, que é navegável, mas que pode ter lugares de perigo, de quedas, pouco confortável. 
Gostava de situar-me  no percurso desse rio hoje, mas não consigo. Lembrei que há coisas que amava fazer e que agora não são mais possíveis: cantar (bem tentei, mas é mesmo como dizem, saiu um som de cana rachada), fazer as tarefas da casa sem custo, correr, andar sem ter rumo até chegar a um lugar lindo onde parava e tudo fazia sentido. Não posso. Não vou demorar-me nas impossibilidades, mas naquilo que hoje faço e que não sabia fazer quando ainda vivia na Primavera da vida. Coisas tão boas, sobretudo porque na sua maioria são feitas para os outros e não para me trazer alguma satisfação pessoal ou reconhecimento. 
As estação da vida são diferente, embora às vezes se misturem e vão buscar cores às outras. Cada Páscoa é única. Numa há sol vibrante, noutra a chuva insiste em cair. Será por isso que olho o mundo e as pessoas à minha volta e ainda consigo dizer como o Criador: "É muito bom"?

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