sexta-feira, 5 de agosto de 2016

TESOUROS

"Não acumulem neste mundo tesouros que podem ser devorados por traças, corroídos pela ferrugem ou - pior! - roubados! Prefiram um tesouro no Céu, pois ali estará a salvo das traças, da ferrugem e dos ladrões. Não parece óbvio? Saibam que o lugar onde mais desejam estar é perto do tesouro e é lá que acabarão indo parar" (Mat 6:;19,20 A Mensagem)
Depois do post de Mateus 6, que é tão real na minha vida, lembrei quando fomos para Moçambique o que aconteceu aos nossos "tesouros". Foram muito bem acondicionados num contentor que foi entregue na alfandega para despacho. Poucos dias depois, recebo um telefonema dizendo que tinha que ir rapidamente a um determinado lugar perto de Sta.Apolónia em Lisboa, pois tinha havido um acidente com o nosso contentor. Quando la cheguei, vi os meus "tesouros" espalhados pela linha férrea e sei lá mais por onde. Tinham colocado o contentor junto da linha e com o trepidar dos comboios o contentor foi deslizando até cair para ser "atropelado" por uma máquina. Eu e um querido amigo que me acompanhou, fomos apanhando o que era possível ainda resgatar e deixar na alfandega para ser posto noutro contentor.
Quando o contentor com os "restos mortais" do que tinha sido muito da nossa casa chegou a Moçambique, por que ainda não tínhamos casa nossa, (vivíamos com os meus pais), pedimos emprestado um espaço na cave da igreja que estava em construção. Passados uns meses, depois de termos alugado um belo apartamento já a sair da cidade, lugar tranquilo e muito acessível, fomos abrir o contentor para começar a transportar os nossos "tesouros" para a nova casa. Quando tirámos a tampa do contentor, saem de lá baratas, aos milhares! Eu que tenho repugnância destes bichos saltei e gritei. Mas de repente parei, ao olhar para a cara to Tony Catarino. As baratas tinham comido toda a nossa roupa, cortinados, lençóis, enfim...o que havia para comer. Ficaram os quadros, as loiças (a maioria foi para o lixo, pois tinha tanto nojo dos bichos). Chorei em desespero, em frustração, tristeza, até não ter mais lágrimas.
O meu coração ainda estava tão agarrado a estes tesouros...
(continua)

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