segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ESCREVO...PORQUÊ?

Tenho na minha frente uma folha em branco. Posso deixá-la assim. Muita gente deixa. Mas comigo a conversa é outra. É como se  aquele espaço vazio estivesse morto e eu precisasse, com a máxima urgência, dar-lhe vida. 
Mas escrevo o quê, nesta página em branco?
Se escrever sobre Deus, faltam-me as palavras, fico parada, sem saber o que mais acrescentar a um Ser que é todo sublime, todo poderoso, todo amor, todo.
Se escrevo sobre a minha família, quem lê, pensará que "me acho" mais que os outros, porque só posso descreve-la com tintas de cores doces e nuances de riso e loucura.
Se escrevo sobre mim, vão dizer que tenho ataques constantes de crises e de dúvidas, quando afinal as minhas crises cada vez mais me dão certezas.
Se escrevo sobre o que se passa à minha volta, estou sujeita a que me digam que não é bem assim, pois cada um vê o mundo pelos seus olhos.
Se escrevo sobre fé, esperança, amor, dizem que isso é bonito mas não é real.
Se escrevo sobre dores, logo a seguir recebo as mensagens da praxe que me dizem que "vai ficar tudo bem", que "o melhor ainda está para vir"...
Diante disto, o melhor era não escrever. Mas não consigo. A página está em branco, aqui mesmo, à minha frente, à espera de palavras que não são colocadas lá para a aprovação de ninguém, mas porque é mais forte do que eu.
Vou continuar a escrever. Ainda há muitas páginas em branco por aí.

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