sábado, 31 de dezembro de 2016

ADEUS 2016!

Ele está ali, desfalecido, fraco, sem alento. Aproximo-me para vê-lo melhor. Os olhos semicerrados, a boca entreaberta, a respiração lenta. O diagnóstico é que lhe faltam poucas horas  para morrer.
Já foi vigoroso, cheio de brilho, engalanado com as cores mais vivas do Verão e os cheiros mais doces da Primavera. Começou a esmorecer no Outono e adoeceu de vez no princípio do Inverno. 
Queria dizer-lhe tantas coisas antes que se vá. Vou tentar agradecer-lhe, porque deu tanta beleza à minha vida; porque trouxe gente especial ao meu caminho que acrescentou à minha existência; porque me ofereceu mesas fartas de riso e alegria que nunca experimentara; porque colocou sobre os meus joelhos envelhecidos, um embrulhinho com uma menina tão perfeita, que vou amar até ao fim dos meus dias... 
Enquanto lhe falo tudo isto, ele abre os olhos mortiços e esbate na boca um sorriso difícil. Ele sabe que lhe falta pouco tempo.
Mas queria dizer-lhe e perdoá-lo antes que se vá, como me feriu tantas vezes, me trouxe dores inexplicáveis, me fez chorar noites a fio, à procura de uma esperança que parecia nunca chegar. 
Com coragem, seguro-lhe as mãos geladas, aperto-as, para dizer-lhe que, para onde vai agora, todos os anos, iguais a ele, são recolhidos por um Deus que redime as faltas, limpa as lágrimas, perdoa os pecados e que usa cada ano que nos envia para que alcancemos corações sábios. 
A respiração agora é ainda mais lenta, o frio da morte já toca na sua fronte...é só uma questão de horas.
Adeus 2016! Foste igual a todos os anos que preenchem os meus calendários. Deste o bom e o mau, o sol e a chuva, a alegria e as lágrimas. Mereces que se despeçam de ti com gratidão, porque mal partas, já está outro à porta para sentar-se no teu lugar! 

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