quinta-feira, 16 de junho de 2016

MORRER

Como será morrer?
Morre-se, quando o coração perde a vontade de bater.
Morre-se, quando os sonhos desaparecem com a última nuvem.
Morre-se, quando os braços ficam gelados pela falta de abraços e a boca se fecha porque não há a quem beijar.
Morre-se, quando passamos no meio da multidão e ninguém dá pela nossa presença.
Morre-se, quando chegamos à última página de um livro que não queríamos que terminasse.
Morre-se, quando o silêncio é o único som.
Morre-se, quando vemos toda a gente a correr e os nossos pés já não andam.
Morre-se, quando o espelho nos diz que o que está à vista é apenas uma ilusão.
Morre-se, quando não há mais projectos, nem tarefas onde façamos falta.
Morre-se. Devagar. 
Porque nem todas as mortes são rápidas, violentas, inesperadas. Há muitas assim. Devagar. 
Lentamente, como uma vela que se vai apagando e ninguém dá por falta da luz, porque já era tão fraquinha...