sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A PARÁBOLA DO CABELEIREIRO

E o reino de Deus na vida de uma mulher pode assemelhar-se a alguém que decide ir tratar do cabelo. Fá-lo,  não por vaidade, mas por necessidade. Está sujo, desalinhado, com mau aspecto. Para isso, tem que marcar uma hora, sentar-se pacientemente na cadeira e deixar que o artista faça o que deve  ser feito. Primeiro é uma lavagem  tipo "esfrega", para que o sujo saia todo. O champô aplicado a seguir, tem como objectivo não deixar nada por limpar e o terceiro, para que o cabelo fique bem limpo, sedoso, brilhante. Depois começa a secagem e o penteado, feito com escovas diferentes. Às vezes, o calor do secador fere, mas pouco a pouco, o cabelo vai tomando jeito. Depois é o penteado, toque final da mão artística. E para que dure mais, é aplicado um spray, que vai ajudar o cabelo a ficar bonito e apresentável durante algumas horas.
E como todas as parábolas, esta também me ensina algo importante. Olho para mim e não gosto do que vejo. Preciso de tirar tempo para estar  com o meu Pai Celestial e deixar-me ficar nas  Suas mãos sábias, para que Ele me lave, uma e outra vez. Depois, aguentar o calor, tantas vezes desconfortável,  para chegar ao que Ele acha ser o formato que planeou para a minha vida e permitir que as Suas mãos criadoras, alindem aquilo que uns minutos antes era feio, sujo  e sem beleza. Olho no espelho da Sua Palavra  à medida que Ele trabalha  e noto como é sabedor dos pormenores mais pequenos, para que tudo fique a Seu contento. Fico abismada com o produto final. Mas Ele aplica ainda um spray de graça sobe a minha vida, para que a obra que acabou de fazer perdure mais um pouco. Despede-se de mim com um sorriso  e diz-me que me espera daí a uns dias...
E eu volto sempre. Sempre. Como não voltar, se Ele me faz parecer tão formosa e importante?

domingo, 23 de outubro de 2016

A MENINA DANÇA?

Era com esta pergunta que os rapazes convidavam uma moça para dançar...lá atrás, no tempo. Eu nunca dancei. Lembro que na escola, a professora de ginástica bem tentava que eu aprendesse os passos das danças, mas era escusado. Há uma dislexia entre os meus pés, e o que a minha mente sente da música. Não conjugam. Já casada, o meu amor, que dança muito bem, tentou ultrapassar esta dificuldade, mas depois de muitas tentativas, desistiu.
O engraçado é que eu adoro ver dançar. Acho aquele mover do corpo, das mãos e dos pés, algo mágico. Desisti deste prazer e desta magia que é ser levada por alguém, rodopiando, ao som de uma música.
Até que descobri na Palavra de Deus (cheia de incidentes de dança), uma frase que me trouxe esperança. Ao ler Mateus 11:28 numa versão parafraseada da Bíblia, Jesus Cristo diz: Aprendam os ritmos livres da graça! “ Quando li estas palavras o meu coração deu um salto. Afinal eu já dancei, eu sei dançar este ritmo! Se fixar os olhos no meu Senhor, vejo os Seus braços estendidos, sinto as Suas mãos a segurar-me e a música da Sua graça, move-me. É um ritmo livre. Os passos não têm que ser sincronizados. A graça é livre! A graça é feita do imerecido, do perdão, do esquecimento do que ficou para trás, de lembranças doridas que se vão desvanecendo, de lugares de horror que dão lugar a paisagens de sonho, de frustrações sem fim a promessas cumpridas. E quanto mais conheço esta graça, melhor eu danço! Só preciso de olhar para Ele, fixar os olhos no Seu rosto de amor, para dançar perfeitamente. Agora Ele enleia-me, mais forte e ouço o bater do Seu coração. Nem penso nos meus pés, que continuam a dançar...neste ritmo livre, livre!


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

GERAÇÕES

Que linda! Estou a falar da minha bisneta Isabelle. Ontem tive-a no colo e ao olhar a sua carinha recém-chegada ao mundo, não consegui deixar de lembrar o dia em que me colocaram nos braços a sua avó. Eu era jovem, cheia de energia e sonhos para a menina que Deus me tinha concedido. Foi um parto bem difícil, os dias a seguir ainda mais, mas ela venceu todos os obstáculos e fez-se uma mulher de carácter, de sabedoria, de fé, que toca o mundo à sua volta e sabe discernir o que Deus deseja para a sua vida. 
Depois lembrei o dia em que nasceu a sua mãe, a minha neta. Oh, meu  Deus! Que manhã aquela, de espera ansiosa, até que a enfermeira passou com o bercinho da recém-nascida e todos os temores desapareceram diante da perfeição deste novo ser. Os pais deram-lhe um nome que trouxe esperança à minha vida, num momento de fragilidade emocional.Hoje olho para a minha neta e sinto um orgulho profundo pela pessoa que é, pela determinação e capacidade de estar longe da família 5 anos para formar-se e pela esposa e mãe em que se tornou.
E agora...ali está ela, Isabelle, bisneta, num momento de fragilidade física da minha vida, a dizer-me sem palavras: "Louva a Deus, nonna, porque chegaste aqui! Nem todas as mulheres têm este privilégio! Nem todas podem gozar do carinho que te damos, muitas na tua idade já nem sabem por que vivem..."
Respiro fundo. A gratidão às vezes também nos sufoca...e não há como não deixar que ela escorra dos nossos olhos.

sábado, 15 de outubro de 2016

ESTAMOS VIVOS

A vida é salpicada de dor.
Possivelmente seria mais correcto dizer que ela é dor, salpicada de momentos de alegria...
Hoje estava a ouvir uma amiga contar das suas, tão grandes, tão estranhas, tão insolúveis. Comparei a minha existência com a sua e encolhi-me de gratidão.
De  qualquer modo, todos temos momentos de aflição, angústia, medo, perplexidade. Como encaramos esses momentos é que faz a diferença.
Ontem falei com uma senhora com Alzheimer. Já não a via há bastante tempo e pensei que ela teria um discurso diferente. Notei como se esforçava para lembrar-se das pessoas à sua volta e como tentava que tudo fosse perfeitamente normal, até ao momento em que deixou cair a chávena que tinha na mão. Acontece a  qualquer pessoa, todos os dias se parte loiça, mas para ela foi como se aquele percalço a avisasse, de tal maneira que disse logo: "Não devia ter saído de casa", ao que toda a gente respondeu que  aquilo não tinha importância, que acontecia a todos os mortais, mas ela foi ficando mais e mais recolhida, embora o sorriso lindo que sempre emoldurou o seu rosto, permanecesse.
Queixo-me de tantas dores. Tenho dias em que são tão difíceis de suportar. Mas o que é isso, comparado com uma mente que se vai fechando, até daqui a uns meses já nem saber quem são os filhos, nem perceber  o que veste ou se precisa de tomar banho?
A maneira melhor de encarar qualquer dor é agradecendo. Agradecer porque conseguimos dar-lhe nome, porque temos a noção onde começou e onde pode terminar, ser grata porque apesar de tudo, sentimos o carinho na voz de alguém, discernimos amor nos olhos de outro alguém, numa palavra - vivemos!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

TRANSIÇÃO

Esta transição ente o Verão e o Outono é bem curiosa. Os dias de grande calor parece darem lugar a um clima mais ameno, mas o sol não deixa de brilhar. A paisagem exuberante do arvoredo e do mar continua lá, só que com tons diferentes. Ainda não temos frio para ir buscar a roupa quente, mas não podemos descuidar-nos muito, porque as tardes já refrescam bastante...
O que acho interessante na mudança, é que as pessoas não ficam tristes com o adeus ao Verão. É que ele, por mais divertido que seja, também cansa!
Esta reflexão simples tem a ver com a vida de cada individuo. Mal comparado, um dia somos Verão e daqui a nada caminhamos para o Outono. Num dia aguentamos todos os calores da vida, mas chega a um ponto em que precisamos de algum descanso. Ontem fomos felizes, freneticamente felizes e hoje, sabe bem este conforto, poucas palavras, sossego e confiança no que possuímos. 
Gosto do Outono. Das cores, dos cheiros, das tonalidades quando o sol quer deitar-se, arrastando lentamente as  pontas douradas  e vermelhas dos seus lençóis pelo céu sem fim.
E gosto sobretudo de  saber que há um propósito para cada estação, um projecto traçado por Deus para cada fase da minha vida. Nesta, não posso dar o mesmo "fruto" que dei na Primavera, mas o que é próprio desta estação!