quarta-feira, 29 de março de 2017

Chegou, deslumbrante, como sempre. Entra e ilumina os espaços, faz brilhar o céu de um azul quase esquecido, esmorecido, por tanta chuva e nevoeiro. Traz nas mãos um braçado de jarros e vai pintando os campos por onde passa com tintas amarelas e lilazes. 
As pessoas sorriem-lhe. Pudera, já estavam à espera há tanto tempo!
Gosta de todas as cores, mas detém-se nos rosas pálidos das árvores de fruto em botão. Tem nela um calor e uma força, que a leva a empurrar as sombras da noite para mais tarde.
As pessoas despem os agasalhos, as árvores vestem-se de folhas novas. Ela odeia o velho, o bolorento, o que não tem cor. Abre as gavetas, os armários  e força a limpeza. 
Até os corpos cansados sentem a sua energia. Obriga-os a abrir as janelas e a olhar para lá do horizonte e dá-lhes mil razões de esperança.
Cada vez que ela chega, as canções sobem de volume e as gargalhadas ficam mais longas.
Não conseguimos agarrá-la por muito tempo e temos que ficar atentos às mudanças do seu humor. Quem sabe se amanhã não aparece envolta em neblina só para que gostemos dela  ainda mais?
E pensar que ela vem e vai, porque o Criador lhe marcou um calendário, um tempo e uma missão.
Afinal, Ele faz isso com todos nós, não?

Sem comentários:

Enviar um comentário