quarta-feira, 8 de março de 2017

E SE...?

Ontem assisti ao funeral de uma amiga, mãe do meu genro. Conheço-a há mais de 30 anos e hoje, que ela se foi, sinto-me tão culpada.
Vou explicar. Ontem, ouvi  os elogios mais sentidos, mais belos, verdadeiros e reais que alguém pode dar a um ser humano. Foram exaltadas as suas qualidades de generosidade, desprendimento, bondade, alegria, fé, resiliência, amor a Deus e à sua família. Todos  merecidos.
A minha sensação de culpa, vem do facto que tudo o que foi dito, ela já não ouviu. Lá, na  dimensão eterna, faz pouco sentido o que os mortais dizem por aqui. Daquele lado da vida, o que importa mesmo é o presente, feito de alegria, de ausência de dor e de lágrimas. A saudade é apenas para quem fica. E as palavras proferidas, são também o alívio de almas em sofrimento.
E enquanto ouvia os vários membros da família pensei: E SE um dia destes, quando estivermos juntos, fizéssemos todos os elogios e todas as honras a quem ainda pode ouvir?  E SE, mesmo com lágrimas de arrependimento, falássemos da gratidão que nos invade porque temos essas pessoas na nossa vida?
Gratidão, é divino. Honra é divino. Amar como a nós mesmos é mandamento divino.
E SE? O que seria, como iríamos reagir?


quarta-feira, 1 de março de 2017

ENTRE O DOIS...

É isso, estamos entre duas estações. Os agasalhos de Inverno põem-se e tiram-se. O sol brilha de vez em quando, a chuva cai envergonhada e vai-se embora.
Parece que a nossa vida fica sempre pendurada entre dois pólos:
Amor, ódio
Presença, saudade
Trabalho, descanso
Mágoa, perdão
Juventude, velhice
Filhos, netos
Amigos, solidão
Saúde, doença
Desespero, esperança

E havia tantos mais... O que fazemos entre os dois, determina a essência do que somos. Grita o que queremos, exige o que esperamos.
O que fazemos entre os dois, é o processo meticuloso que Deus usa para fazer de nós pessoas mais humanas.
Nenhum dos dois pode ser desprezado, evitado, nem ignorado. Tal como as estações, estão lá por uma razão.